Pequenos povoados podem se converter em doce lar para os que sonham fugir da agitação e violência, comuns aos grandes centros urbanos, tornando-se discípulos de uma vida no campo do tamanho da paz.
Pelo menos é o que espera a dona-de-casa Ivonete Simão de Deus, 39 anos, ao colocar a cabeça no travesseiro, depois que trocou Guarulhos, em São Paulo, por Pinhalzinho, distrito de Sengés (160 quilômetros ao norte de Ponta Grossa).
''Minha família é toda daqui. Morei 24 anos em Guarulhos, apesar de ter nascido nesta região. Voltei para tirar os meus filhos da cidade grande. É preciso que conheçam um pouco da vida do interior'', comenta Ivonete.
Apesar de muitos alimentarem projetos de vida semelhante, a violência que preocupa os moradores dos centros urbanos já bate à porta dos que moram em lugares afastados.
Em Tanque Grande, lugarejo de poucas casas na região, o isolamento também deixa ouvir o barulho do medo de ameaça de assaltos a propriedades e estabelecimentos rurais, o que influencia a rotina dos moradores.
''Hoje é melhor morar na cidade do que no mato, porque na cidade a polícia chega logo e no mato não adianta esperar'', lamenta o motorista do ônibus escolar, Vilson Ribeiro Santos, 26 anos, que diariamente corta o veio sinuoso da estrada de terra, transportando cerca de 150 alunos até a escola.
Para os que gostam de morar em lugares afastados dos centros urbanos, as facilidades da vida moderna também podem se tornar um exercício de paciência e determinação.
O topo dos morros é o limite desse exercício em Socavão, vilarejo de Castro, com cerca de 3 mil habitantes, onde, com sorte e só no alto de uma colina, é possível completar uma ligação de celular.
''Ando uns 500 a 1.000 metros para conseguir sinal. Na hora em que consigo, a ligação cai'', conta desanimado o pequeno produtor rural, Joel Domingos de Almeida, tirando do bolso dois celulares de duas operadoras diferentes.(F.L.)

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