As freqüentes campanhas feitas por instituições de saúde para ‘‘arrebanhar’’ doadores de sangue, plaquetas e medula óssea parecem não surtir o efeito desejado. Pelo menos, não neste período do ano, quando muitas pessoas tiram férias e as doações caem significativamente, preocupando profissionais de saúde e pacientes, que dependem da boa vontade de estranhos para dar continuidade a algum tratamento médico ou, até mesmo, sobreviver a uma situação de emergência.
  ‘‘Nessa época (de férias) temos que nos desdobrar muito para que o estoque não seja comprometido’’, revelou o médico do Serviço de Hemoterapia do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, Marcelo Veiga. ‘‘É, realmente, muito difícil, pois a cidade fica vazia, mas as emergências, os transplantes de medula óssea não param’’, complementou. O HC, segundo o médico, recebe, em média, 80 doações de sangue por dia. Um pouco antes do Natal para cá, esse volume está entre 50% e 60%.
  Por ser referência no transplante de medula óssea e atender número considerável de pacientes com leucemia, o Banco de Sangue do HC tem uma peculiaridade: a elevada demanda por doações de plaqueta. Pacientes com câncer e em tratamento quimioterápico, também, precisam da reposição de plaquetas. Em 2007, o HC realizou 69 transplantes de medula óssea: número que integra a estatística de 1.837 procedimentos realizados desde o início do serviço, em 1979.
HC precisa
de plaquetas
  Veiga explicou que, em uma doação, são coletados 450 mililitros de sangue. O volume é separado em uma unidade de hemácias, uma de plasma e uma de plaquetas. É preciso de oito frações de plaquetas para atender à necessidade de um paciente com leucemia. ‘‘Por isso, uma instituição como a nossa não pode depender apenas das doações de sangue. É preciso
ter doadores de plaquetas’’,
reforçou.
  Diferente da coleta de sangue – que só pode ser feita em intervalos de dois e três meses, em homens e mulheres, respectivamente – as doações de plaquetas podem ocorrer até duas vezes por mês. Cada coleta – realizada em máquinas de aférese – corresponde ao volume de oito a 16 doações de sangue. Nesses aparelhos, são coletadas somente as plaquetas. As hemácias e o plasma voltam para o doador.
  O número médio de doações de plaquetas – 150 por mês – tem sido suficiente para atender à demanda do HC. No entanto, de acordo com Veiga, os doadores voluntários precisam sempre de um ‘‘empurrãozinho’’ dos funcionários do Banco de Sangue para serem lembrados do momento de fazerem a sua doação. ‘‘Doar sangue é doar vida. O sangue é insubstituível. Nossos pacientes, realmente, necessitam de um ato de altruísmo do ser humano para que o tratamento seja realizado com sucesso’’, destacou o
médico.
  Os critérios para ser um doador de plaquetas são os mesmos de um doador de sangue: idade entre 18 e 65 anos, acima de 50 quilos, ter boas condições de saúde, não ter doença crônica ou comportamento de risco para o HIV.

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