Doações salvam acervo da Biblioteca Pública
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terça-feira, 29 de maio de 2007
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Se dependesse apenas do poder público, o acervo da Biblioteca Pública do Paraná estaria à míngua. Segundo Clarisse Hain Taborda, assessora técnica da instituição, nos últimos anos, poucos exemplares novos foram adquiridos pelo Estado. Como não existe verba oficial para a aquisição de livros - apenas uma verba geral para todas as despesas da biblioteca -, muitas vezes não ''sobram'' recursos para esta finalidade. ''Às vezes há possibilidade (de comprar livros), outras não'', afirma Clarisse.
Neste cenário, os mais de 3 mil usuários que visitam a Biblioteca Pública do Paraná todos os dias estariam carentes de leitura, mas, felizmente, não é isso que acontece. Se por um lado o dinheiro que o governo estadual destina para novas aquisições é curto, por outro, é grande o volume de doações que a Biblioteca recebe.
São mais de 2 mil livros doados todos os meses. Logo que chegam, eles são encaminhados à Divisão de Processamento Técnico para uma triagem. São observados o estado de conservação das obras e o conteúdo. Livros anteriores à reforma ortográfica de 1971 recebem cuidados especiais para não induzir os frequentadores ao erro. Autores paranaenses e lançamentos têm prioridade na escolha. Depois é verificado se os títulos doados já constam no acervo da Biblioteca. Em caso positivo, os funcionários responsáveis por cada sessão de leitura avaliam se querem ou não as obras duplicadas. Os livros que não serão incluídos no acervo da Biblioteca Pública são enviados à bibliotecas municipais em todo o Paraná.
Segundo Mara Rejane Vicente Teixeira, chefe da Divisão de Processamento Técnico, quando algum doador não pode levar os livros até a biblioteca, uma equipe se encarrega de buscar as obras. Os meses de janeiro, fevereiro e dezembro são os mais movimentados. Na opinião de Rejane isto se deve à época em que as pessoas costumam fazer grandes limpezas em casa e decidem se livrar daquilo que não é mais usado. Mas a funcionária adianta que o atual volume de doações é suficiente. Aproximadamente 4 mil livros aguardam encaminhamento no subsolo da Biblioteca.
Dentre as doações, Rejane conta que costumam aparecer algumas obras raras, como primeiras edições de escritores brasileiros consagrados e livros editados no Brasil antes de 1850. ''Muitas pessoas nem sabem o valor daquilo que têm na mão'', conta. Ela lembra que recebeu certa vez um livro sobre Candido Portinari autografado pelo pintor e com uma dedicatória a Poty Lazzarotto.
Mas não são só obras antigas, novidades editoriais também são doadas. ''Tem até o livro da Bruna Surfistinha'', brinca Rejane. Entre os doadores estão algumas instituições como consulados, embaixadas, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Fundação da Biblioteca Nacional. Livros produzidos através da Lei Rouanet têm de ser doados obrigatoriamente para bibliotecas públicas.
No entanto, mais do que as instituições, os grandes responsáveis pela ampliação do acervo da Biblioteca Pública do Paraná são os doadores particulares. O professor aposentado Sansão José Loureiro calcula que, em 15 anos, já doou aproximadamente 5 mil livros. Mineiro de nascimento, ele conta que muito já recebeu do Paraná e as doações seriam apenas uma forma de retribuir a acolhida que recebeu. Quando a saudade bate, ele volta às salas de leitura para reler seus livros e conta que sempre é bem recebido.
Sansão afirma que continuará contribuindo para aumentar o acervo da Biblioteca Pública. ''É uma questão de despreendimento'', diz o professor sobre o sentimento que acompanha as doações. Leitor assíduo, ele ''devora'', pelo menos um livro por semana. ''Nem tenho mais onde guardar tanto livro'', afirma.


