Doação, uma difícil e generosa decisão
Mariana Perez Nogueira tinha apenas seis anos quando manifestou pela primeira vez sua vontade de ser doadora de órgãos. Caridosa, a menina que era aluna das mais aplicadas de um curso de balé, sempre gostou de ajudar a quem podia.
Em 2001, aos 14 anos, enquanto estava sobre o palco, fazendo o que mais gostava, que era a dança, Mariana sofreu repentinamente um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI). Levada às pressas para o hospital, a garota não resistiu, teve morte cerebral.
''Quando recebi a notícia da morte cerebral, várias dúvidas passaram pela minha cabeça. Eu pensava sobre a possibilidade de os médicos estarem enganados. É uma situação muito chata'', conta a bibliotecária Maria Luiza Perez Nogueira, mãe de Mariana.
As dúvidas que Maria teve são comuns a praticamente todas as pessoas obrigadas a tomar a decisão de doar ou não os órgãos de um familiar que acaba de ter a morte cerebral diagnosticada. Dentro do contexto cultural e histórico humano de relacionar o coração com a vida, é difícil acreditar que alguém realmente esteja morto se o coração continua funcionando. E o pior é que não há outro jeito. Para os órgãos do doador serem aproveitados é preciso que a retirada aconteça quando o músculo cardíaco ainda funciona.
De acordo com o superintendente da Santa Casa de Londrina e neuro-cirurgião Fahd Hadad, os testes que são realizados quando a morte cerebral é constatada não deixam espaço para enganos. ''Realizamos testes clínicos e exames como o eletroencefalograma e a angiografia cerebral'', destaca.
No caso da jovem Mariana, a decisão da família foi facilitada pelo fato da menina ter expressado a sua vontade de ser doadora por diversas vezes enquanto era viva. ''É muito importante que as famílias conversem sobre esse assunto. Sempre achamos que essas situações tristes só acontecem com os outros. Quando precisei decidir, eu sabia que a minha filha estaria salvando vidas e que isso era da sua vontade.''(W.S.)





