Vanessa Leal, de 25 anos, é contra todo tipo de crítica feita à comunicação premeditada pela troca de mensagens. Foi assim, trocando recadinhos pelo MSN, que um desconhecido da internet virou seu marido.
Antes de qualquer contato físico, eles já estavam namorando: ela em Guarulhos; ele no interior do Paraná. ''Após um mês de conversa pela internet, marcamos de nos encontrar. No fim, ele pediu demissão do emprego, mudou-se para minha casa e abrimos uma loja de brinquedos. Casamos em abril'', conta.
Casos de amor pela internet são mais comuns do que romances via SMS, assim como estudos sobre a overdose de computador também avançam mais rápido que investigações a respeito do celular.
Ligado à Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, o departamento de dependências não-químicas é um dos principais pólos de estudos sobre o uso patológico da internet no País. Para seu coordenador, o psiquiatra Aderbal Vieira Jr., é preciso ver a questão com cautela.
''Podemos nos relacionar de forma dependente com todo tipo de coisa. Há um uso exagerado do celular, sim. Quantas ligações você fez nesta semana que eram imprescindíveis? Nem todo comportamento inadequado, porém, é um problema médico. Se a liberdade de escolha não está em jogo e não há prejuízos efetivos para a pessoa, por que eu diria que se trata de uma dependência?'', questiona Vieira.
A psicóloga Rosa Farah, profissional do NPPI e co-autora do livro ''Relacionamentos Digitais'' (Giz Editorial), também acredita que se tem feito alarde exagerado em torno da tecnologia.
''A sociedade tende a ‘demonizar’ toda novidade. Não digo que a perda do contato humano não mereça atenção, mas o comportamento compulsivo não é algo específico da tecnologia. É a qualidade do uso e não sua quantidade que define o que há de patológico no comportamento.'' (G.R./A.E.)

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