Característica marcante do Festival de Música de Londrina (FML), o ecletismo ganha ainda mais destaque nesta 35ª edição. Dando ênfase ao tema escolhido para 2015: "Música, Educação e Diversidade Cultural", o evento contemplará em sua grade artística e pedagógica diferentes vertentes da cena clássica e popular. Nos próximos 15 dias a cidade será envolvida por sonoridades abrangentes, nas quais acordes eruditos convivem harmonicamente com o rock, MPB, choro, trilhas de cinema e hip hop.
A interação entre diversas culturas é uma proposta adotada pelos organizadores do FML desde a primeira edição do evento, realizada em 1979. Proposta que tem sido reforçada pela atual gestão. "O festival tem uma história de 35 anos e já imprimiu como identidade ser um evento aberto que acolhe diferentes estéticas", argumenta a diretora pedagógica do FML, Magali Kleber.
Ela explica que a escolha dos estilos musicais que serão prestigiados a cada edição do FML segue políticas públicas ligadas à cultura e educação. "Seguimos resoluções definidas pelo Ministério da Cultura (MinC). São diretrizes que vieram se desenvolvendo nos últimos 20 anos e que preveem o acolhimento à diversidade e manifestações que até algum tempo atrás não entrariam em pauta. Essas normatizações dão uma base de fundamento conceitual, político e ético que indica como devem ser tratadas as mais variadas formas de expressões culturais e artísticas", salienta.
A diretora pedagógica do FML destaca ainda o caráter humanístico que predomina a pauta do evento. "Tenho uma visão sistêmica. Não vejo a música deslocada de outras práticas sociais. É uma vertente humanista que valoriza as pessoas e o que elas produzem. É uma relação de respeito à diversidade e não só uma questão de tolerância, mas de respeitar o direito de exercer escolhas. Isso inclui a valorização e o reconhecimento de atividades populares que não estão ligadas à formação acadêmica. Mas que têm se mostrado bastante atuantes e inseridas em determinados contextos sociais", argumenta.

HIP HOP
A cultura do hip hop é um exemplo citado por ela. O gênero está incluído na programação pedagógica do FML e terá como representante um dos pioneiros do movimento no Brasil. Ministrando o curso "DJ Turntablist: A arte dos toca-discos na cultura Hip Hop", o Ademir Cavaleiro, conhecido como DJ e MC Nezzo, chega à cidade trazendo na bagagem mais de 30 anos de vivências nas periferias de Porto Alegre, onde atua.
"Vou falar da prática do hip hop como ferramenta para ampliação de ações sociais em periferias. O movimento surgiu na Jamaica e depois foi inserido nos Estados Unidos como alternativa para disseminar a cultura por meio da música, dança e do grafite em comunidades carentes", afirma.
Cavaleiro ressalta que foi convidado para participar do FML pelo fato de seu trabalho ter sido citado como referência na prática de ensino didático em escola do Rio Grande do Sul no livro "Hip Hop – Da Rua Para a Escola", escrito por Jusamara Souza, Vania Malagutti Fialho, Juciane Araldi (Editora Sulina). "O convite do FML mostra uma visão de mundo ampliada e diferenciada. A amplitude de conhecimentos e saberes podem e devem ser amplificados. A interação entre diferentes culturas, acadêmicas e populares, é enriquecedora para todo mundo que participa dela. São práticas que devem ser somadas pois a academia aprende com o popular e vice-versa. É um caminho certo para o crescimento", enfatiza DJ Nezzo, que virá a Londrina acompanhado de seu filho, o Bboy Daniel, que ministrará o curso.

ROCK
Outra atividade que comprova o ecletismo sonoro que domina o FML é o curso "Banda de Garagem: aprendizagem da prática musical integrada para crianças e adolescentes". Ministrado pelos musicistas Fernando Mello e Marlene Ramos, o curso que tem o rock and roll como foco é direcionado a crianças e adolescentes com idade entre 6 e 14 anos, com ou sem experiência musical.
O professor Fernando Mello explica que o curso "inverte a mão", isto é, parte da prática para a teoria. "Na primeira aula eles já tocam. Começamos com algo simples, básico, uma nota, por exemplo, mas quando todo mundo atua junto fica a sensação de que estão tocando em uma banda", explica.
As aulas serão realizadas em uma sala onde estarão à disposição dos alunos equipamentos básicos de uma banda pop-rock, como teclado, baixo, bateria e guitarra. Cada participante poderá escolher seu instrumento. "Crianças e adolescentes sempre sonham em tocar em uma banda", afirma.
Fernando Mello trabalha há mais de dez anos como professor do curso de prática de banda infanto-juvenil no Instituto de Artes – Integrartes, em Teresópolis (RJ). Ele também é cantor, compositor e instrumentista. Já Marlene Ramos é professora de bateria e atualmente desenvolve seus trabalhos no Conservatório Musical Carlos Gomes, em Londrina.

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