Do quintal, enfermeira retira a solução que 'Deus dá'
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quarta-feira, 08 de outubro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Na cozinha utilizada como laboratório, Maria das Graças Rodrigues Rois, 58 anos, e Joany Siqueira da Silva, 48, produzem chás, vitaminas e até pomadas. A matéria-prima vem do quintal, onde diversas plantas - além de tornarem o terreno mais bonito e agradável - servem como remédios utilizados no posto de saúde onde a enfermeira e a auxiliar de enfermagem trabalham.
Por causa da iniciativa das duas, a Unidade de Saúde Tamboara recebe moradores de vários bairros de Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba). São casos de pessoas que passaram por tratamentos alopáticos e que encontraram a cura para seus problemas com as ''ervas naturais que Deus dá'', como diz a enfermeira Maria das Graças, ou Graça, como é conhecida.
Foi assim com a aposentada Iraci Olga dos Santos, 68. Ela chegou à unidade de saúde com uma úlcera na perna em estágio avançado. O problema começou há quatro anos e seu médico vascular já havia recomendado a amputação. O pé estava roxo, sem circulação, a perna estava endurecida. E contam os presentes que na primeira consulta o mau cheiro espantava até quem estava no corredor.
''Não sentia mais nem dor e o médico disse que já estava gerando uma trombose'', conta a paciente. Depois de dois meses de tratamento com Graça e Joany ela conheceu uma alternativa aos tratamentos convencionais: as plantas medicinais.
No tratamento de dona Olga, Graça e Joany utilizam a casca da Arueira e a planta Pau de Andrade. Todos os dias elas lavam o ferimento da paciente e fazem um curativo. E é assim com os demais pacientes, quando elas contam com as propriedades medicinais de várias outras plantas, como a Calêndula, Figatil, Pessegueiro, Flor da Amazônia e Flor do Ipê.
''O povão busca bastante a gente, fazemos muitas orientações. Às vezes não temos tempo de parar um pouquinho. A erva medicinal é mais barata e nasce da natureza'', afirma Graça. Além da melhora das doenças, as profissionais também percebem uma transformação imediata: a auto-estima. ''É a primeira coisa que percebemos no paciente'', conta a enfermeira.


