Morar e trabalhar no mesmo local foi o que motivou o casal Célia Zambaldi, bibliotecária, e Pedro Gléria, corretor de seguros, a adquirir uma casa maior. Apesar da metragem permitir os dois espaços, o imóvel, construído na década de 1980, necessitava de reformas para adequar as instalações hidráulicas e dar mais conforto à área de lazer.

Para não errar, eles optaram por contratar profissionais especializados que os auxiliassem nesse trabalho, garantindo uma reforma bem feita, com segurança e sem riscos para o imóvel. Mas o que não sabiam é que essa contratação é exigida por lei, conforme explica o engenheiro eletricista José Fernando Garla, presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal).

As leis federais nº 5.194/1966 e 6.496/1977 tratam das responsabilidades dos profissionais de engenharia e arquitetura e asseguram a obrigatoriedade de responsáveis técnicos, habilitados pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), em qualquer tipo de obra de engenharia, incluindo reformas, quando em casos de modificações de instalações elétricas, hidráulicas e/ou alteração na estrutura. O profissional não é obrigatório apenas em casos de pequenos reparos, como trocas de fechaduras, lâmpadas e pinturas de paredes, por exemplo.

Com o desmoronamento do Edifício Liberdade, no Rio de Janeiro, em 2012, que ocasionou a morte de 17 pessoas, houve a necessidade de disciplinar as reformas em edificações de uma forma mais sistemática. Então, em 2014, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) estabeleceu a norma 16.280, que atesta a necessidade do acompanhamento por profissional qualificado e habilitado, seja engenheiro ou arquiteto, em toda e qualquer reforma de imóvel ou serviço que envolva as instalações, hidráulicas ou as alterações estruturais. "A norma não tem força de lei, mas ela dá orientação de como agir de maneira correta e segura", afirma Garla. "Em contrapartida, se o proprietário realizar a reforma por conta em risco e um acidente ocorrer, tanto ele como o síndico serão responsabilizados e penalizados conforme a lei", completa.

O arquiteto Alessandro Cavalcanti, professor da UniFil, reforça que é o trabalho conjunto entre engenheiro e arquiteto que vai garantir segurança e economia para construção ou reforma. "No Brasil, ainda existe a ideia equivocada de que a assistência profissional encarece o processo. Na verdade, as pessoas precisam ter consciência de que estão investindo em quem tem vai gerenciar todo o restante da sua obra, do começo ao fim, do piso ao telhado."

Segundo ele, além da falta de segurança, a cultura da "autoconstrução" pode ser até mais custosa. "A gente vê muitas pessoas que fizeram a obra por conta, não conseguiram sucesso e tiveram que contratar um profissional para arrumar o que tinham feito errado", finaliza Cavalcanti.

Com a obra na reta final, Célia sente-se satisfeita com o trabalho dos profissionais. Pois a ideia inicial era, além das adequações, cobrir a churrasqueira. Mas o arquiteto orientou para outras mudanças na área de lazer. "Ele separou a área social da área de serviços. Deu uma nova concepção de conforto ao local, promovendo uma mudança completa do ambiente", elogia Célia. O profissional, como destaca, a acompanhou em todas as decisões da reforma, indicando os melhores materiais, cores e fornecedores para móveis. Enquanto isso, o engenheiro ficou responsável pela parte estrutural da obra e na contratação da mão de obra.

PARA ECONOMIZAR
A arquiteta recém-formada Rafaela Juliani está noiva com o casamento marcado para abril de 2016. Ela e o noivo Gustavo Roque Martins optaram por adquirir um imóvel antigo, com cerca de 30 anos, o que garantiu um preço mais acessível e boa localização. Antes da boda, a casa está passando por reformas para adaptar às necessidades dos noivos e ganhar um visual mais moderno.

Como possui conhecimento na área, a própria Rafaela está coordenando as obras. Estão sendo trocados pisos, revestimentos e móveis; instalações elétricas, hidráulicas e forro novo também compõem a reforma, além de nova concepção de ambientes e uma preocupação especial com a iluminação, para deixar a casa mais receptiva.

Confira as dicas do arquiteto Alessandro Cavalcanti dá algumas dicas sobre passos importantes para que a reforma de sua casa não se transforme em um transtorno aqui.

Imagem ilustrativa da imagem Do piso ao teto, orientação profissional é fundamental
Custo x benefício: a arquiteta Rafaela Juliani e o noivo Gustavo Martins optaram por comprar um imóvel antigo e investir na reforma, que ela mesma administra
mockup