Do Los Angeles a cidade vertical
Conhecedor da mudança da sociedade curitibana, o jornalista Aroldo Murá Haygert escreveu um livro com os nomes que considera os atuais expoentes do Estado. ''Vozes do Paraná'' traz o perfil de artistas, jornalistas, pesquisadores, empresários, educadores, independentemente da origem nobre ou não. Para ele, a elite hoje é outra: ''São beneficiários da indústria ou profissionais liberais bem sucedidos''.
Professor Aroldo, como é conhecido, trabalhou, no início da carreira, com o colunista social Dino Almeida na revista Clube. Na época, em uma Curitiba de meio milhão de habitantes, tudo era menor. ''As escolas, universidades, clubes, tudo era mais fechado. Por isso as famílias tradicionais se ligavam pelo casamento. Outra característica da época era que essas poucas famílias se sucediam no poder'', conta.
Conta Murá que, por este período, o local de moradia da ''alta burguesia'' era o Jardim Los Angeles, um bairro quase todo fechado com casas grandes e luxuosas. Depois, em meados dos anos 60, as famílias ''endinheiradas'' que chegavam na cidade, muitas do interior do Estado, começaram a povoar o Bairro Jardim Social.
''Não tinha o mesmo luxo do Los Angeles e as casas eram menores. E não dá para esquecer o Bairro Batel, que sempre foi referência em luxo desde a época dos senhores da erva-mate'', explica. Hoje ele considera a cidade ''vertical'' e diz que não dá para saber mais onde está concentrado o dinheiro. (M.R.M.)





