Tecnologia já incorporada ao cotidiano, os telefones celulares somam só em Londrina e região mais de 2,3 milhões de unidades. Os lançamentos quase que diários estimulam a troca e o descarte prematuro. O que poucos usuários se atentam, porém, é que junto com o celular antigo vai a bateria que pode provocar danos ambientais. Os modelos mais antigos contém metais pesados altamente poluentes.
Preocupados com tal situação, os docentes do Departamento de Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jair Scarmínio e Alexandre Urbano, desenvolveram tecnologia que coloca as baterias de volta ao mercado e recicla todos os componentes internos. ''Cerca de 55% das baterias jogadas fora que recolhemos estão com 100% de sua capacidade de vida útil preservada'', aponta Urbano.
A própria medição da carga é feita por um aparelho desenvolvido no laboratório. ''Nesse atual modelo, com um console adaptado, pode-se avaliar qualquer tipo de bateria, desde celulares e câmeras até computadores portáteis de várias marcas e modelos'', explica. O aparelho de medição já é utilizado pela Sercomtel, empresa que financia parte do projeto.
Quanto às baterias que não têm mais capacidade de carga, Urbano relata que a continuidade das pesquisas levou a equipe a desenvolver um processo de desmonte apropriado das partes, que permite que os componentes internos voltem à linha de produção. ''Há dois meses, conseguimos chegar a um processo que recicla o cobalto presente em seu interior. Ou seja, devolvemos com eficácia e qualidade 80% do elemento químico à fabricação.''
De cada bateria é extraída cerca de 1 grama de pó de cobalto. Essa reciclagem, portanto, diminui a quantidade necessária do elemento em estado virgem, que é o composto mais caro de toda bateria. ''Isso vai refletir no preço da fabricação do produto. Mas, sobretudo, possibilitar a reutilizar desses elementos'', pontua Urbano.

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