DO CAMPO PARA A MESA - Regras do mercado são simples e não falham
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sábado, 31 de maio de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Uma das mais antigas leis do comércio nunca foi tão atual. A relação delicada entre oferta e demanda continua sendo o fator determinante para definir preços. E esta velha máxima ainda é válida para todos os segmentos, todos os elos de uma cadeia produtiva, do produtor ao consumidor. E é desta forma que os alimentos continuam sendo comercializados na Central de Abastecimento de Londrina (Ceasa). Sem exceções, as regras são simples: o preço de um produto sobe quando falta no mercado, seja pela entressafra ou pelas intempéries climáticas; já em época da safra e da produção em excesso o preço cai.
A movimentação na Ceasa começa cedo às segundas, quartas e sextas-feiras. Pela manhã, por volta das 3 horas, já há produtores e comerciantes no local. O ''mercado'' fica aberto das 5 horas às 10 horas. No entanto, ao contrário do que a maioria imagina, o ''pico'' dos negócios acontece à tarde: das 14h30 às 19h30. A mobilidade dos preços ocorre tal qual nas feiras livres: no início a qualidade é melhor, mas os valores são mais altos. Conforme passa o tempo, a cotação cai, assim como a qualidade.
Só podem comercializar na Ceasa produtores rurais devidamente cadastrados. Entre os critérios exigidos está a prova de que o interessado é, de fato, produtor rural, tendo inclusive que apresentar registro do imóvel ou registro do Incra e possuir propriedade na Região Norte do Estado (que abrange 32 municípios). A central tem 1.470 cadastrados, dos quais cerca de 320 passam diariamente no local. A frequência varia conforme a sazonalidade dos cerca de 320 produtos comercializados, incluindo os importados. Os cadastrados ainda precisam pagar taxa anual de R$ 14.
Os permissionários - chamado popularmente de boxistas - podem vender qualquer tipo de produto, inclusive ''importados''. Quem garante o movimento na Central são as grandes redes de supermercados, proprietários de mercearias, frutarias, pequenos mercados e restaurantes e os hotéis. ''Qualquer pessoa pode vir comprar na Ceasa, desde que seja pelo atacado (produtos vendidos em caixas ou sacos fechados)'', informa Ismael Batista da Fonseca, gerente da central. A diferença com relação aos supermercados, garante ele, é que os preços não são tabelados. Sempre existe negociação.
Os produtores também sofrem com a concorrência de produtos oriundos de outros Estados, trazidos pelos boxistas. ''A maioria dos comerciantes aqui são pequenos produtores, pessoas da agricultura familiar, das vilas rurais e dos assentamentos. A nossa preocupação principal é com a agricultura familiar e de oferecer um outro canal de escoamento'', informa Fonseca.
A comercialização atinge as cerca de 600 toneladas por dia de alimentos ou cerca de 15 mil toneladas por mês. A Ceasa está instalada em uma área de 10 alqueires, são 172 boxes e a ''pedra'' (área de 25 mil metros), onde os hortifruti são comercializados.
A Ceasa de Londrina é a segunda maior do Paraná em volume e estrutura física, perdendo apenas para Curitiba. É a terceira maior unidade do interior do País, só é menor do que a de Campinas e de Ribeirão Preto (ambas em São Paulo).


