DO CAMPO PARA A MESA - Preço dos alimentos assusta e previsão é pessimista
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sábado, 31 de maio de 2008
Reportagem Local 
Nas últimas semanas, a alta dos preços dos alimentos tomou conta do noticiário econômico do mundo todo. O prato de comida está mais caro e o preço dos alimentos é puxado para o alto por um conjunto de fatores, conforme explica Umberto Sesso, doutor em economia pela Universidade de São Paulo (USP).
Segundo ele, em diferentes regiões as safras ''quebraram'' devido a problemas climáticos, o que gerou um caso imediato de alta de preços. Além disso, há alguns anos países considerados emergentes no cenário econômico mundial apresentam crescimento de suas economias. O caso mais notável é o da China, que chega a 10% ao ano. Logo, aumenta a demanda por comida. O último fator é a produção cada vez mais acentuada de biocombustíveis, que usa cana-de-açúcar como matéria-prima no Brasil, trigo na Europa e milho nos EUA.
''Quando o preço do milho sobe, a reação é em cadeia. Por exemplo, o preço da soja sobe porque os agricultores estão ocupando suas terras com milho e começa a faltar soja no mercado. Com o barril do dólar chegando a US$ 130, a tendência é que se acelere a produção de álcool no mundo todo. Especificamente no caso norte-americano, vale lembrar que o milho é a base de proteína para a dieta animal, por isso a elevação do preço da carne. No Brasil, cada vez mais as lavouras de cana devem ganhar espaço. No Mato Grosso do Sul estrangeiros investem em terras para a cana'', ressalta Sesso.
Diante de números, índices, indicadores e gráficos, o que interessa mesmo para o consumidor é saber se comer deve ficar mais caro ou não. E a notícia não é nada boa. ''A tendência para os alimentos, pelo menos para os próximos cinco anos, é manter o preço alto'', informa o doutor em economia.
Deixando um pouco de lado as bolsas de valores e o mercado internacional de commodities, a reportagem FOLHA foi para as lavouras, conhecer de perto como é a produção e qual o caminho que a comida percorre até chegar à mesa do consumidor.
Cada hortaliça ou fruta consumida é parte de uma complexa etapa de produção e comercialização que passa por, pelo menos, quatro mãos: produtor, atacadista e varejista até chegar ao consumidor. É uma cadeia delicadamente equilibrada que estabelece as relações comerciais e define os preços. Preços, aliás, que seguem rigorosamente a ''velha'' lei da oferta e da procura.
''Especificamente no caso dos hortifrutis, o que eleva o preço é o 'passeio' do produto. O correto é encurtar a distância entre o produtor e o consumidor'', comenta Sesso.
Realmente há uma razoável diferença entre o preço do produto que sai da roça e o produto que chega à sacola da dona de casa. Um maço de cebolinha, por exemplo, sai por R$ 2 do sítio e chega a custar R$ 6 no mercado. Um ovo sai da galinha custando R$ 0,10 e chega à frigideira a R$ 0,25.
Contudo, o especialista consultado pela FOLHA diz que não se pode jogar a culpa para cima do chamado ''atravessador''. ''A margem de comercialização do hortifruti é alta porque o risco é alto. Existem muitas perdas. O 'atravessador' também corre risco. Há os custos de transporte e a chuva que pode deixar o caminhão atolado. Como o campo toma muito tempo do produtor, aquele que faz o 'meio campo' acaba sendo a graxa da engrenagem, uma figura necessária'', destaca, admitindo, porém, que uma aproximação entre produtor e consumidor seria benéfica para as duas partes. (Fernanda Mazzini, Fernando Rocha Faro, Luciano Augusto e Wilhan Santin)


