DO CAMPO PARA A MESA - A sabedoria das donas de casa
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de maio de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Seja pilotando um carrinho de feira ou de supermercado, a dona de casa é um personagem central para entender a cadeia da alimentação porque sabe sempre o que quer e como quer. E não aceita conversa fiada. Afinal, é ela quem vai esquentar a barriga no fogão para matar a fome da família inteira. Para tanto, na feira ou no mercado, sempre acha um jeitinho de driblar os preços abusivos para levar o que precisa.
Avó carinhosa e mãe zelosa, a dona de casa Eloyna Silvestre de Carvalho, frequenta feiras livres, sacolões e supermercados, sempre em busca dos melhores produtos e preços. Táticas bem conhecidas, como a troca de uma marca por outra mais barata, continuam funcionando muito bem na hora de economizar. Ela toma cuidado com os encartes e ofertas anunciadas, chamarizes bastante usados pelas empresas para atrair consumidores até as lojas. ''Primeiro vejo se o preço realmente bate com aquilo que está na prateleira'', aponta.
A dona de casa prefere os mercados para comprar grãos como arroz e o feijão: ''acho mais vantajoso porque eles entregam''. Mas a facilidade logo dá lugar à crítica quando o assunto é dinheiro. ''Os preços do arroz, feijão, óleo, macarrão, carne, ovo, estão subindo muito. Como está tudo caro, compro quantidades menores ou substituo por marcas mais baratas'', revela.
Na feira, Eloyna vai atrás das verduras e legumes. ''Os produtos são frescos e, muitas vezes, mais acessíveis'', valoriza. Ela diz que não cai nas ''ofertas'' anunciadas pelos supermercados nos ''dias verdes''. ''Algumas vezes é propaganda enganosa'', argumenta.
A dona de casa ainda lança mão de uma terceira via para comprar um item que ganhou destaque ultimamente por conta da alta que sofreu: o ovo de galinha. Ela compra a bandeja com duas dúzias e meia de um fornecedor que entrega em casa por R$ 6. ''Se não tenho dinheiro, ele até espera para outra semana'', conclui.
Preço abusivo, não
Criada com leite de cabra, a dona de casa Iraci Rodrigues não aceita desaforo nem preço abusivo. Na banca de cereias da feira livre do Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte) ela olha, examina, e só compra depois que o feirante dá alguma vantagem.
''Compro feijão na feira (R$ 4,50 o kg) porque o ensacado engana muito e lá em casa sou só eu e meu marido. Quem tem família grande, precisa substituir porque nesse preço não dá'', avalia. Nos outros itens, a dica de Iraci é ficar sempre de olho numa boa promoção. ''Abasteço minha casa com as ofertas'', ressalta.
Acostumada a também comprar na feira da Zona Norte, a dona de casa Helen Pereira usa a pechincha como arma contra os preços altos. ''Eles sempre dão um descontinho'', afirma. Mesmo assim, ela sentiu que ultimamente não há milagre que faça o mesmo dinheiro comprar tudo que comprava tempos atrás. ''Antes vinha, com R$ 50 e levava tudo que precisava. Hoje, compro o que dá para a semana e gasto uns R$ 60'', reclama.


