A força da terra roxa, marca registrada de Londrina, é também esperança de desenvolvimento no novo século. Fortalecer a produção rural, desenvolver a agroindústria e agregar valor ao produto agrícola são caminhos que os produtores rurais trilham para manter a atividade como carro-chefe da produção do município, que cresceu à sombra da riqueza dos cafezais.
Francisco Galli, presidente da Sociedade Rural do Paraná, diz que o setor tem muito a comemorar nos 64 anos de Londrina. ‘‘A agropecuária é responsável pelo que está aqui hoje’’, diz. Para que o setor continue atuante no cenário produtivo de Londrina também nas próximas décadas, a entidade, nascida quando Londrina tinha apenas 12 anos, está em ação: acaba de realizar um amplo levantamento junto aos seus mais de 1.000 associados para definir o perfil do produtor local.
‘‘Queremos conhecer o produtor rural londrinense, o que ele pensa e o que planeja para o futuro. A idéia é saber o que ele produz, de que porte é, que renda tem, quais são as suas expectativas. Esse mapeamento vai nos indicar as diretrizes para o futuro’’, diz Galli. ‘‘Todas as condições para que o Brasil, com participação decisiva do Paraná, venha a ser líder mundial em agronegócios, estão aí. E Londrina pode ter um papel importante nesse novo quadro, graças à qualidade da sua terra, à vocação para o trabalho rural e ao suporte tecnológico de que dispõe’’. Galli cita órgãos como Embrapa, Iapar, Emater e a Universidade Estadual de Londrina como apoios valiosos para o desenvolvimento da atividade agropecuária.
O produtor diz que, para que o setor possa realizar o seu papel de propulsor da economia, é preciso que receba o reconhecimento ‘‘que está faltando’’ e que seja visto como atividade essencial. ‘‘Se não por sua importância do ponto de vista humano, já que é forte gerador de empregos e base de toda a cadeia produtiva, pelo menos por sua dimensão econômica’’, defende.
Medidas concretas, como o sistema de parcerias implantado pela Secretaria da Agricultura em Londrina, são passos importantes, afirma o produtor, para que o setor retome o ritmo de desenvolvimento de alguns anos atrás e contribua para a promoção de uma melhor qualidade de vida da população local. ‘‘O problema é que em nosso País a política econômica é estabelecida de cima para baixo, o poder municipal tem ação limitada. Temos sido punidos por produzir e isso precisa mudar’’.
O presidente da Sociedade Rural lembra também do problema das invasões de terras, que semeiam intranquilidade ao produtor rural e desestimulam a aquisição de terras e a atividade agropecuária. ‘‘Precisamos contar com o apoio estadual para pôr fim à violência no campo e devolver a tranquilidade para quem quer produzir’’, afirma. Mas sem abrir mão - diz Galli - do espírito que norteou a cidade, desde o seu início, que sempre foi o de receber bem todos que aqui chegaram. ‘‘Essa é uma das maiores riquezas de Londrina’’, diz.César AugustoGarantiaGalli, presidente da Sociedade Rural do Paraná: ‘‘Uma das maiores riquezas de Londrina é o espírito de acolher todos que aqui chegam’’A terra roxa atrativa dos primeiros sonhos continua orientando a linha do futuro

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