Os produtores de Cornélio Procópio colheram, em 2013, mais de 104 mil toneladas de soja, o que resultou em um faturamento de quase R$ 110 milhões aos agricultores. O valor representa quase 60% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária da cidade, que neste mesmo ano chegou a R$ 190 milhões. Estes números mostram que, após a geada que levou o café em 1975, o município se transformou em um grande produtor de soja.
Quando o café entrou em declínio quarenta anos atrás, a adoção de tecnologias, como o plantio direto e a agricultura de precisão, permitiu aos agricultores colher outras variedades, como a soja, o trigo e o milho, afirma o chefe regional do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Maurício Reis Koch.
A soja, segundo Santo Pulcinelli, economista do Departamento de Economia Rural (Deral) do Núcleo Regional da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), hoje é a principal cultura do município. "É uma commodity que tem estabilidade e apresenta a maior rentabilidade." Para a safra 2014/2015, a expectativa é que sejam colhidas 108 mil toneladas de soja, quatro toneladas a mais que em 2013, mesmo com o período de seca que prejudicou a colheita, afirma Pulcinelli. A soja também ganha cada vez mais área de cultura – deverá passar de 29 mil hectares para a estimativa de 34 mil hectares na safra 2014/2015 -, afirma o economista do Deral.
Com a adoção de tecnologias como a melhoria genética e a agricultura de precisão, o produtor procopense conseguiu elevar a produtividade de soja, afirma o diretor da Vilela, João Francisco Vilela de Carvalho, empresa que presta assistência a produtores que querem aumentar sua produção. "Em 1985, na fundação da empresa Vilela, a produtividade média de soja do produtor na nossa região eram de 2030 kg/ha. Neste ano, já estamos falando em produtividade de 3.300 kg/ha."

NOVAS CULTURAS


"Cornélio Procópio foi criada na cultura do café. Mas o setor cafeeiro passou por várias crises, e hoje as áreas estão sendo substituídas por soja, milho, feijão, trigo", comenta Kléber Geraldo Vieira, coordenador regional do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Esta "dependência" da agropecuária procopense aos grãos, entretanto, pode ser perigosa, na visão do coordenador regional. "Em uma crise, o município inteiro sofre." Nos últimos anos, houve momentos em que os preços dos grãos caíram ou as culturas foram vitimadas por intempéries climáticas, lembra o coordenador regional.
A solução para isso, na opinião de Vieira, é a diversificação da produção. Frutas, hortaliças, pastagem, produção de leite são algumas atividades que os produtores podem adotar. "Alguns produtores já enxergaram isso, a própria agricultura familiar já tem muito disso." De acordo com o coordenador regional do Emater, estimular a diversificação de culturas no município passa por conscientizar os produtores por meio de programas municipais e estaduais e de entidades que também incentivem o crédito rural e o apoio aos agricultores.

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