Apesar de 55% da renda do agronegócio no Pananá, de acordo com dados da última safra, ser resultante das culturas extensivas como soja, milho e trigo, esses cultivos ocupam pouca mão-de-obra. Desde o início desta década porém, a diversificação de cultivares com adoção de produtos que exigem mais trabalhadores no campo vem crescendo, analisa Gilca Cardoso Andretta, coordenadora do setor de estatísticas do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).
Gilca acentua que não há dados sobre o número de trabalhadores ligados às atividades de produção agrícola. Um dos motivos para isso é que a agricultura no Paraná está atada ao trabalho familiar onde não são assinadas carteiras e o volume de trabalhadores deixa de aparecer nas estatísticas oficiais de emprego.
Entretanto, a partir de alguns dados disponíveis é possível ter noção do número de pessoas envolvidas no trabalho no campo. Gilca afirma que o Estado possui 350 mil propriedades, dessas 86% são lotes com menos de 50 hectares. Para o cultivo de 1 hectare de soja, cultura altamente mecanizada, é necessária 0,02 pessoa, já para o cultivo de uma mesma área de fruticultira ou hortaliças são utilizadas de quatro a cinco pessoas, em média, empregadas durante todo ao ano.
Além da substituição das culturas extensivas de grãos por outras que geram mais empregos no campo, Gilca argumenta que essa troca garante mais renda e diminui as interferências climáticas da produção. Para mostrar as diferenças no volume de renda bruta entre culturas intensivas e extensivas, ela cita a realidade de Marialva (Noroeste) onde 1 hectare de soja rendeu R$ 1.499 e 1 ha de uva de mesa, R$ 36 mil, segundo dados de 2004.
No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná foi de R$ 96,38 bilhões sendo que 35,15% disso veio do agronegócio. Como mais da metade da renda da última safra foi proveniente de culturas extensivas que sofrem com os problemas climáticos, neste ano o Deral prevê uma queda nos rendimentos da agricultura.
A queda nos rendimentos da agricultura irá interferir no número de empregos nas cidades, afirma o gerente da Agência do Trabalhador de Londrina, Mauro Vieceli. Ele justifica que muitas cidades da região de Londrina tem a base econômica na agriculura e como a safra terá uma quebra o movimento no comércio e a geração de empregos na contrução civil de Londrina serão prejudicados. ''Muitos agricultores que vêm gastar dinheiro no comércio de Londrina e investem na aquisição de imóveis aqui não vão movimentar esses setores neste ano'', antecipa.

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