Ditadura Vargas persegue alemães, italianos e japoneses
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domingo, 31 de dezembro de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
Mesmo ocorrendo a milhares de quilômetros de distância, a Segunda Guerra Mundial (1939-45) afeta diretamente o Paraná. Imigrantes dos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), aos quais o Brasil mesmo indiretamente combate, são vítimas de repressão e preconceito. O governo brasileiro, alinhado aos Estados Unidos, temia o crescimento de células nazistas ou fascistas no Estado. Nessa época, o Paraná já tem consolidadas grandes comunidades de alemães e italianos (principalmente no Centro-Sul) e de japoneses (no Norte).
Na opinião do pesquisador Ricardo da Costa Oliveira, essa preocupação era infundada. Havia alguns núcleos isolados de militância, mas a imensa maioria dos imigrantes só queria trabalhar e não tinha qualquer atuação política. O fato de o Paraná ter no interventor Manoel Ribas um governante extremamente fiel ao ditador Getúlio Vargas nacionalista e autoritário, contribui para a escalada de hostilidades às comunidades inimigas. O estopim é o ataque a navios brasileiros por submarinos do Eixo, a partir de 1942, o que leva o Brasil a enviar tropas ao combate.
No Paraná, os principais alvos são os clubes, sociedades, escolas e publicações dos imigrantes. Baseado em uma lei introduzida na Constituição de 1934, que torna obrigatório o ensino em português, o governo impõe que livros e publicações em língua estrangeira sejam traduzidos. Isso inviabiliza a circulação de muitos periódicos destinados às comunidades. Escolas que alfabetizavam em alemão, italiano e mesmo em polonês (a Polônia fora anexada por Hitler em 39), são fechadas.
Os clubes sociais e esportivos de imigrantes, cujos nomes geralmente eram na língua natal, são obrigados a se aportuguesar. Assim nascem clubes como Concórdia e Duque de Caxias, ambos de Curitiba (que originalmente tinham nomes em alemão). As sedes de algumas instituições, como a Sociedade Garibaldi (de italianos), são invadidas e depredadas pela polícia.
Embora a repressão aos japoneses no Norte tenha sido mais amena, nessa região acontece um fenômeno inverso após a rendição do Japão, em 45, retalhado por duas bombas atômicas. Segundo o escritor Fernando Morais, em Assaí (uma das maiores comunidades no Estado), atuaram ramificações da Shindo Renmei (Liga do Caminho dos Súditos), organização terrorista que matava os imigrantes japoneses que admitiam a derrota do país na guerra, considerados por eles traidores da pátria.
No âmbito econômico, o Estado obtém benefícios. Na Segunda Guerra, repetindo o que havia ocorrido no primeiro conflito mundial (1914-18), a madeira paranaense lidera a pauta de exportações, à frente do café e do mate.


