Para garantir o terreno de 2,5 milhões de metros quadrados que sediará a fábrica da Renault, a primeira providência da prefeitura de São José dos Pinhais foi a ampliação do parque industrial do município, em projeto do então prefeito João Ferreira aprovado na época em regime de urgência pela Câmara de Vereadores.
Também foi criada a Companhia de Desenvolvimento de São José dos Pinhais, com modelo semelhante ao da Companhia de Desenvolvimento de Curitiba, que ficará responsável pela administração da área industrial do município.
Declarado como ‘‘área de utilidade pública’’, o terreno da Renault teve um processo de ‘‘desapropriação amigável’’, segundo definiu o prefeito da época. Conforme anunciado por ele, os proprietários realizaram a cessão do terreno e esperavam a finalização do processo de desapropriação, ao preço de R$ 4,00 por metro quadrado.
A esse custo, a área total ficaria em R$ 10 milhões, o equivalente a 1% do investimento programado de R$ 1 bilhão para a instalação da fábrica da Renault no município. Para conseguir transferir o terreno à montadora, a Prefeitura de São José dos Pinhais recorreu ao mecanismo de criação da companhia de desenvolvimento.
Em função da lei 8.666, que proíbe qualquer doação da União, Estado e municípios para a iniciativa privada, a transferência do terreno seria realizada para a Companhia de Desenvolvimento de São José dos Pinhais. A prefeitura do município participaria da empresa através de cotas negociadas com o terreno.
O mecanismo usado, de acordo com justificativas apresentadas na época, foi uma forma de viabilizar um incentivo de atração de empresa. Todos os outros Estados que entraram na disputa pela Renault (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais) tinham a doação do terreno como condição básica.

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