Distância não é problema
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terça-feira, 12 de junho de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Enfrentar uma longa e exaustiva jornada nem de longe esmorece universitários moradores de municípios da Região Metropolitana e que, diariamente, se deslocam até Curitiba para estudar. Pegar quatro ou cinco ônibus, muitas vezes lotados, fazer baldeação. Acordar muito cedo, por volta das 5h30 e dormir só depois da meia-noite, para aqueles que fazem estágio ou trabalham. Depois de um dia de muita correria e pouco descanso, conseguir um assento no ônibus na volta para casa é tirar ''sorte grande''. Mas se não é possível e o cansaço toma conta, a soneca pode ser em pé mesmo.
''Já dormi e passei do ponto de casa, várias vezes, mas como os motoristas me conhecem, me levam de volta. É só eu sentar no ônibus que começo a cochilar, é incontrolável'', conta a estudante Mayra Inês do Carmo, de 20 anos, que utiliza o ônibus de linha para se deslocar de Campina Grande do Sul a Curitiba, onde estuda e faz estágio. No total são cinco ônibus que a jovem pega, por dia. Depois do estágio, das 9 horas às 17h30, a moça vai de ônibus até o Centro Universitário Posivitivo (Unicenp), onde cursa Publicidade e Propaganda até às 22h30.
A jornada só termina depois que Mayra enfrenta cerca de duas horas de viagem de volta para Campina Grande do Sul. ''Chego em casa à meia-noite, mas isso porque pego uma carona até o centro de Curitiba'', conta. ''Às vezes cansa, não vou dizer que não. Mas vale o esforço porque estou investindo no futuro e também pela convivência e experiência de vida na faculdade. Outras pessoas na minha cidade fazem o mesmo que eu. A gente acaba acostumando com a rotina, até porque é preciso'', disse Mayra que tem um irmão que também estuda em Curitiba, onde cursa Filosofia na Universidade Federal do Paraná.
A jovem já passou por ''apuros'' quando voltava para casa. Ela teve o nariz quebrado por causa de uma briga dentro do ônibus. ''Ao invés do cara acertar um soco no outro rapaz, acertou meu nariz. Foi horrível, além da dor que senti, minha mãe ficou muito preocupada. Acredito que tenha sido uma fatalidade, mas andar de ônibus, à noite, é sempre perigoso'', pondera Mayra. Outra colega de turma de Mayra, Kauany Villar, de 20 anos, também encara uma longa jornada em Curitiba.
A moça sai de casa, em Balsa Nova, às 5h30 e só volta a colocar o rosto no travesseiro de novo só na madrugada do dia seguinte. ''O problema é que não sobra quase tempo para dormir. Morar numa cidade e estudar e trabalhar em outra não é muito fácil, mas a gente acostuma'', disse Kauany que utiliza o ônibus fretado pela Prefeitura de Balsa Nova para transportar universitários. O município gasta, por ano, R$ 300 mil para fretar quatro ônibus e atender 150 estudantes balsanovenses que estudam em Curtiba e na Lapa.
''É muito mais fácil e tranquilo porque o ônibus pega a gente dentro da universidade e deixa na porta de casa. Sem falar que é gratuito, basta se inscrever, todo ano, na prefeitura'', destaca a universitária, acrescentando que toda sua vida se concentra em Curitiba, inclusive, os amigos. ''Imagine se eu tivesse que pagar pelo transporte, seria muito mais difícil estudar porque os ônibus de Balsa Nova não são integrados ao Sistema Metropolitano de Curitiba. Teria que pagar quatro passagens, no mínimo, por dia'', compara ela.
Os ônibus fretados partem de Balsa Nova, às 17 horas, e seguem viagem que dura cerca de uma hora. ''A volta demora mais e o ônibus vem mais lotado. A maioria das pessoas volta muito cansadas e aproveita para dormir, mas tem outras que estudam no ônibus'', conta a moça. ''A recompensa é saber que estou me qualificando e que em breve estarei formada. Acho que o esforço que faço para estudar e fazer estágio, em Curitiba, é visto de forma muito positiva pelas pessoas que me cercam, na universidade e no estágio. Esse reconhecimento também serve como incentivo'', conclui Kauany.


