Em pouco mais de 20 anos, o Jardim das Américas, bairro localizado na saída de Curitiba entre a BR-277 e a BR-116, viu as casinhas populares e o calçamento de saibro das ruas darem lugar a grandes avenidas e a sobrados e condomínios de padrão cada vez mais elevado. ''Estão criando novas lojas, tem bastante comércio. Está sendo bem cotado. Perto da minha casa estão construíndo três sobrados de um lado, mais três ali pra baixo. Está aumentando'', observa o morador Felipe Augusto Schramme, de 18 anos. ''Agora tem pizzarias, restaurantes, tem até restaurante japonês'', aponta Priscila Pereira, 19 anos, namorada de Henry Cleverson Luiz, 24 anos, morador do bairro.
Mas o crescimento trouxe junto a violência, ressalta Henry. ''Fugiu um pouco a tranquilidade. Antes eu constumava andar na rua tranquilo à noite. Agora não dá mais. Há um mês, dois caras armados levaram o carro do meu vizinho na garagem do prédio'', conta o morador. ''Mas o policiamento também aumentou'', afirma.
De acordo com o corretor de imóveis Antonio Faria, os imóveis próximos à Avenida Francisco H. dos Santos, que concentra grande parte do comércio do bairro, tiveram valorização de até 30% somente nos últimos três meses, por causa da conclusão das obras de duplicação da via. ''Trinta anos atrás aqui era lama e pó. Há 20 anos fizeram essa primeira avenida mas era tudo saibro. Não tinha nada'', lembra Faria.
Inicialmente, segundo o corretor, o bairro era ocupado por casas populares. As primeiras casas de padrão mais alto começaram a ser construídas na região conhecida como Jardim Santa Bárbara, na divisa com o Uberaba. ''Hoje unificou-se tudo. Uma casa dessas, de 60 metros quadrados, não se compra nem com R$ 250 mil'', conta Faria.
Para a corretora Denise Regina Neves, a alta dos preços deve-se também à pouca quantidade de imóveis disponíveis. Isso porque mesmo os moradores mais antigos que estão colocando suas casas à venda também estão comprando imóveis no próprio bairro. ''Raramente eles saem daqui. E quem quer vir acaba tendo que pagar mais. Se tivesse mais terrenos haveria o triplo de construções'', observa.
A localização estratégica é um dos atrativos do local, segundo a corretora. ''Está perto do Centro, no caminho para o aeroporto e próximo a universidades, como a Federal e a PUC'', aponta Denise. O Centro Politécnico, uma das unidades da Universidade Federal do Paraná, fica no Jardim das Américas.
Já para a comerciante Tânia Bitencourt de Deus, muitos moradores gostam é da independência que o bairro vem conquistando em relação ao Centro. ''As pessoas gostam de comprar aqui no bairro mesmo. São pessoas que quase sempre prestigiam a gente porque assim não precisam se deslocar, pegar ônibus. Até reclamam quando não tem uma coisa que elas querem'', explica Tânia.
A única desvantagem, segundo Tânia, é o grande fluxo de veículos nas vias de acesso. ''Eu costumo dizer que tenho horário para fechar a loja mas para abrir infelizmente eu não consigo. Tem dia que eu chego e tem gente na porta esperando'', comenta.
Atraído pela fama de prosperidade do bairro, Celso Kamogawa adquiriu uma loja ali há seis meses e torce para que a tendência de aumento do poder aquisitivo dos moradores se confirme logo. ''Eu achava que o poder aquisitivo fosse maior ainda, mas não é bem assim. A gente sente isso no dia-a-dia com os clientes'', avalia Kamogawa. ''Mas está saindo muito condomínio com padrão mais alto e muita gente nova está vindo na loja procurar material. A tendência é crescer mais'', completa.
Como Tânia, Kamogawa queixa-se dos congestionamentos e lamenta, ainda, a forma como o acesso ao bairro pela BR-116 está sendo reformulado. ''Estamos acostumados com esse trecho como rodovia. Como vai virar avenida, terá muitos semáforos, muitos cruzamentos. Não fizeram trincheiras nem viadutos para o trânsito fluir melhor'', critica.

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