''Em certo dia de maio, a revista ''O Cruzeiro'' chegou a todos os municípios do Brasil com uma notícia sensacional: um concurso especialmente planejado para incentivar o maior progresso municipal. Assim começa a reportagem publicada pela extinta revista, descrevendo a breve história e os resultados do concurso que colocou Londrina em destaque nacional. Mais adiante, o texto diz: ''Após demorado estudo das propostas apresentadas pelos municípios concorrentes, foram selecionados 10 que obtiveram o maior progresso no ano passado (1954)''.
No dia 18 de agosto de 1955, os finalistas compareceram ao Salão do Conselho Nacional de Economia, no Rio de Janeiro, onde tiveram que explicar, diante de um júri, as razões pelas quais reivindicavam o direito ao ''Diploma de Honra''. Alguns prefeitos enviaram representantes, outros foram pessoalmente, como o então prefeito de Londrina, Milton Ribeiro Menezes. A classificação dos cinco municípios vencedores aconteceu no mesmo dia, mas só foi divulgada no dia seguinte. Menezes e outros quatro prefeitos receberam os diplomas das mãos do presidente da República na época, João Café Filho.
Foi o primeiro concurso realizado em parceria pela ''O Cruzeiro'' e o Instituto Brasileiro de Administração de Municípios (Ibam). Em eventos posteriores, o mesmo prêmio seria ganho por políticos como Leonel Brizola. Hoje o Ibam não realiza mais concursos do gênero, de acordo com o economista do instituto François Breameker. Segundo ele, cidades como Londrina recorriam à consultoria do Ibam em décadas passadas, quando ainda estavam se desenvolvendo, mas hoje não necessitam tanto do apoio do órgão porque têm seus próprios institutos de planejamento.
O economista avalia que Londrina continua sendo destaque nacional e por vezes até internacional, entre outras razões pelo reconhecimento da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Não é muito comum a existência, nos Estados, de uma cidade de expressão além da Capital e que tenha uma dinâmica própria. Há muitas cidades que se destacam sendo uma espécie de 'extensão' das capitais, como no ABC paulista. No caso de Londrina, a cidade deslanchou sozinha. Poderíamos compará-la a municípios como Campinas (SP)'', explica. (V.N.)

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