Nas entrevistas frequentes, as garotas assumidas respondem à curiosidade geral sobre a velha dúvida que ronda a prostituição adulta e por livre escolha: ''Por que você faz isso?'' As respostas passam longe da moral e raspam em razões econômicas. ''Sou garota de programa, porque não quero voltar para a minha cidade'', responde a gaúcha Nanda Passos.
Há um ano, Nanda saiu da casa dos pais para trabalhar em uma churrascaria em Santo André, na região do ABC paulista. Cumpria jornada de 12 horas e recebia R$ 280,00 por quinzena. O emprego durou três meses, porque a churrascaria fechou.
Filha de uma sargento, Nanda resolveu ficar em São Paulo. ''Eu não conhecia mais ninguém. Decidi pelos programas. E, se resolvi fazer, não vou esconder de ninguém'', afirma.
Prostituição é um tema escabroso, porque ela raramente aparece sozinha. A ''profissão'', como frisam algumas de suas representantes, costuma existir ao lado de uma penca de atividades ilegais. O tráfico de drogas é uma delas. A coação é outra.
Pela lei brasileira, é crime induzir, atrair, facilitar, tirar proveito ou impedir que alguém abandone a prostituição. Mas agenciar alguém pode dar de três a oito anos de prisão. As assumidas, no entanto, dizem estar longe desse mundo. ''Eu dou meu preço e faço o que quero. Sou dona do meu corpo'', diz Bruna Surfistinha.
Ela está em plena legalidade. ''Não há delito em assumir publicamente a prostituição. É um tema que envolve apenas a liberdade sexual e a moral de cada um'', afirma o criminalista Luiz Flávio Gomes.(A.E.)

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