O empresário Arthur Hugh Miller Thomas, a dona de casa Elizabeth e o filho Hugh. A história desta família inglesa confude-se com o desenvolvimento do Norte do Paraná. O espírito empreendedor de Thomas pai e filho e o companheirismo de Dona Beth, características do núcleo familiar, foram decisivos para o crescimento cidade.
  Homenageado ao emprestar o nome a um parque e uma avenida na cidade, Arthur Thomas é o fundador de Londrina. Com a confiança e indicação do também empresário Lord Lovat, foi o primeiro diretor-gerente da Companhia de Terras Norte do Paraná, responsável pelo programa de colonização da região. O espírito aventureiro e empreendedor de Arthur Thomas, no entanto, fica evidente mesmo antes da vinda para o Brasil. Ele era responsável pela administração de fazendas de algodão no Sudão, na África.
  Ainda em São Paulo, conheceu Elizabeth, com quem casou em 1926. O filho nasceu nove anos depois, numa das visitas do casal à terra natal. Na época, a Região Norte do Paraná, inexplorada, não oferecia estrutura superior à encontrada no Continente Negro. De acordo com relatos do filho Hugh Thomas, a própria chegada a Londrina já podia ser considerada uma aventura, mesmo anos após ao primeiro contato do pioneiro com a Terra Vermelha.
  Nas idas e vindas entre Londrina e Inglaterra, a família Thomas enfrentou dificuldades devido ao transporte precário. A estrada de ferro não ultrapassava Ourinhos, na divisa entre os estados de São Paulo e Paraná. O restante da jornada era feito de automóvel ou no lombo de burros.
  Os percalços fizeram parte da rotina dos desbravadores. Na volta de uma das viagens da família para a Inglaterra, o motorista da empresa Alcides de Mello, que trabalhava para os Thomas, ficou incumbido de buscá-los em Jataizinho. A travessia do Rio Tibagi, no entanto, foi uma aventura. Devido ao mau tempo, a ponte para carros estava fechada. A alternativa foi atravessar a pé pelo pontilhão da linha férrea. Dono de um hotel na cidade vizinha, João Manfinato foi o guia com um lampião na mão. Atrás, Arthur, Beth e Mello, com o pequeno Hugh no colo.
  A precariedade também existia na cidade. O asfalto era quase inexistente e havia pouco comércio, apenas alguns estabelecimentos de secos e molhados. As primeiras escolas e o hospital foram construídos pela própria Companhia de Terras Norte do Paraná.
  Depois de morar na cidade, a família também viveu na Zona Rural. A famosa Fazenda Primavera, na Região Norte, foi o lar de Arthur e Beth por muitos anos. E foi no campo que o casal passou os anos de aposentadoria. Arthur Thomas, no entanto, morreu em 1960 em uma visita a São Paulo. A mãe Elizabeth também faleceu na capital paulista, 15 anos depois.
  As histórias contadas por Hugh corroboram a tese da importância dos Thomas para a Região Norte do Paraná. Segundo ele, até o nome da mais importante vizinha de Londrina, foi escolhido por sugestão de Dona Beth. Na fundação de Maringá, o nome é de um tipo de pássaro, homenageado em uma famosa canção de Gilberto de Carvalho.
  Atualmente, Hugh Thomas mora na Zona Sul da cidade. Apesar de considerar a violência o principal problema, não poupa elogios ao falar da Londrina de hoje. ‘‘É uma cidade maravilhosa. Bonita, bem arbvorizada, com lagos que proporcionam lazer, passeios para fazer exercício’’, derrete-se. (F.R.F.)

mockup