Diferenciais preservam potencial do mercado
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Reportagem Local 
O bom momento do agronegócio paranaense e o fato de Londrina ser um polo de investimentos que atrai o interesse de investidores de toda região colocam a cidade em uma posição mais confortável que as grandes capitais em relação ao mercado imobiliário. Essa é a avaliação do imobiliarista Raul Fulgêncio. Apesar de reconhecer a desaceleração econômica em todo o País, ele observa diferenciais no mercado de Londrina que preservam o potencial da cidade no setor.
"O agronegócio traz dinheiro novo para a cidade, o que é muito bom. Além disso, as construtoras de Londrina são sólidas e conhecem a demanda do mercado local, por isso não geram excesso de oferta. É uma situação mais positiva que a de grandes centros, onde as empresas de capital aberto são pressionadas a realizarem lançamentos, gerando superavit", avalia.
Outro ponto que destaca é o fato de Londrina não ter vivenciado uma "invasão" de construtoras de fora, que em outras praças "inundaram" o mercado com ofertas. "Aqui, as construtoras são de capital fechado, o dono cuida. Por isso a cidade é uma referência em construção civil", diz.
Fulgêncio observa que o dinheiro continua circulando no mercado imobiliário, inclusive porque os investidores apostam na segurança dos imóveis em tempos de instabilidade. "A diferença é que os compradores estão mais seletivos, então demoram mais para realizar a compra. Mas em geral, os apartamentos continuam sendo todos vendidos antes das empresas finalizarem a obra", diz.
Uma curiosidade apontada por ele é que o mercado de imóveis de alto padrão está mais aquecido. "As pessoas que ganharam dinheiro nos últimos anos estão aproveitando o momento para fazerem boas compras. São pessoas que acumularam recursos e estão identificando oportunidades para melhorar o padrão de vida", conta.
Fulgêncio também observa que o mercado de Londrina não tem excesso de oferta. "Os preços se mantém. A diferença é que o momento favorece a negociação, com possibilidade de envolver carros ou imóveis de menor valor nos negócios", opina ele, que garante que as vendas continuam acontecendo. "A cidade cresceu muito, em todas as regiões. O imóvel é um investimento que sempre sobreviveu às oscilações, pois é muito seguro", avalia.
Celso Roberto Vignadelli, da CRV Imobiliária, observa uma melhora no mercado neste segundo semestre de 2015. "Os imóveis que geram mais interesse são aqueles que a pessoa vai desfrutar no ato, seja para morar, locar ou para uso de filhos ou pais. O bom do imóvel pronto é que ele proporciona rendimentos de imediato", destaca.
No dia a dia, tem notado que o perfil dos consumidores que estão comprando é a classe média. "É a maior classe em numero de pessoas, a que mais consome, a que gera filhos com programação de vida e que busca estabilidade na idade madura, tendo no aluguel uma oportunidade de renda após a aposentadoria", diz, lembrando que os consumidores de baixa renda estão passando por momentos mais difíceis, diante do desemprego e alta dos juros.
MINHA CASA, MINHA VIDA
O presidente do Sinduscon-Norte, Osmar Ceolin Alves concorda que Londrina tem um mercado diferente do observado em outras regiões. "Aqui a retração foi menor", opina. A expectativa do setor, agora, é com relação ao lançamento da terceira fase do programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal. "Acredito que haverá liberação de recursos para liquidação de pendências contratuais da segunda fase do programa para então iniciar o financiamento de novas obras", espera.
Segundo ele, governo e setor discutem a possibilidade de usar outras fontes de recursos, como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), para financiamento de imóveis para pessoas que ganham entre três e dez salários mínimos. "Ainda não há definição", considera.
Alves destaca que as empresas de Londrina são sólidas e preparadas para lidar com a instabilidade do mercado. "As construtoras alongam um pouco mais os lançamentos e atuam também em outros estados e até outros países", comenta, destacando que o sólido equilíbrio financeiro das empresas, como observado na região, é fundamental em momentos de instabilidade econômica.



