''Aff, fiquei 14 horas numa rave e tive que acordar cedo, tinha reunião marcada para as 8h30 na rl (Real Life, ou ''vida real'').'' Essa é parte da conversa entre duas pessoas no mundo de Second Life e a imersão nesse ambiente virtual leva inevitavelmente à seguinte pergunta: passar tanto tempo em um universo imaginário pode prejudicar a saúde? A professora do departamento de psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Virgínia Grassi, responde.
''Como a imersão na realidade virtual toma muito tempo, cria-se a ilusão de que tudo pode ser resolvido por ali'', diz. De acordo com Maria Virgínia, o usuário precisa ter a noção de que o ser humano precisa do toque de outra pessoa para não perecer, isso é comprovado cientificamente. ''Se você começa a ficar deprimido por falta de relacionamento físico, se sente dores nas costas por ficar sentado ou começa a ter lesões por esforço repetitivo, tem que começar a se questionar, marcar encontros reais, fazer massagem, mudar a cadeira'', completa.
Maria Virgínia, além de professora da UFPR, é doutora em saúde mental pela Unicamp e fez pesquisa sobre relacionamentos virtuais. O Second Life, segundo ela, é uma consequência natural da tecnologia, do conceito de pós-humanidade, que engloba esse novo universo online. ''A virtualidade não tem mais volta, as pessoas estão cada vez mais plugadas. É uma consequência natural da tecnologia, algo que não vai deixar de acontecer. Assim como temos que ter um posicionamento sobre o efeito estufa, que também é consequência da tecnologia, uma hora teremos que ter um posicionamento com o Second Life'', prevê.
De acordo com a professora, o melhor mesmo é balancear os relacionamentos na vida real e virtual para evitar problemas físicos e mentais. ''As características da virtualidade fazem com que a gente mude nosso comportamento na realidade. Mas a diferença espacial e temporal podem criar frustração e a pessoa pode ficar deprimida'', alerta. (C.Y.)

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