São Paulo - Seguir algumas dietas recomendadas em revistas pode trazer prejuízos para a saúde, além de não ajudar a emagrecer. Os riscos estão na falta de equilíbrio do ponto de vista nutricional com doses abaixo ou acima do recomendado de vitaminas e proteínas, por exemplo e também na diferença entre as calorias prometidas e as realmente encontradas nos cardápios.
Pesquisa feita por duas nutricionistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 112 dietas de duas publicações durante o ano de 2002 mostrou que nenhuma delas tinha todos os nutrientes recomendados para uma pessoa adulta. Além disso, a maior parte das que diziam ter 1.200 calorias tinha uma variação de 500 a 2.500.
A constatação foi feita pelas nutricionistas Olga Maria Silverio Amancio e Daniela Maria Alves Chaud. A análise levou em conta as quantidades de macronutrientes, formados pelos carboidratos, lipídeos e proteínas, e os micronutrientes, compostos pelas vitaminas e minerais.
Para medir as substâncias foram usados o programa Virtual Nutri e os valores da Dietary Reference Intakes, tabela internacional.''Escolhemos revistas de grande circulação, uma tinha 120 mil exemplares e a outra cerca de 300 mil. Concluímos que todas são completamente desbalanceadas'', diz Olga, que não quis revelar o nome das publicações.
Pelo estudo, os maiores desequilíbrios estavam nas quantidades de cálcio, ferro e vitaminas: 85,7% tinham níveis inadequados de cálcio, 97,3% de ferro e 91,9% de vitamina E. Segundo a nutricionista, um dos extremos encontrados recomendava a ingestão de 3.035 miligramas de cálcio, quando a média para uma pessoa seria de 800 a 1.000 miligramas.
As consequências para a saúde logo aparecem, segundo elas. ''Se a pessoa começa a ingerir uma dieta desequilibrada, ela altera seu metabolismo. Aumento do colesterol, anemia, falta de absorção dos nutrientes''. Para a nutricionista Sílvia Fernanda Teixeira dos Santos, outro perigo dessas dietas é que elas são prontas, não focadas nas necessidades de cada pessoa. ''Dieta precisa ser individualizada, levando em consideração o biotipo da pessoa (altura, peso), sua idade, rotina. Enfim, é necessário ter um perfil do paciente'', diz.

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