Dicionários também se atualizam
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quarta-feira, 05 de setembro de 2007
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Assim como a língua, o dicionário, que é o conjunto de vocábulos de uma língua (ou de termos de uma ciência) com seus respectivos significados, também é dinâmico. De tempos em tempos, precisa ser revisado, atualizado, ganhar novas edições para acompanhar as constantes mudanças, incorporações e alterações da língua de um povo. Enfim, se é a ele que recorremos diante de uma dúvida sobre pronúncia de vocábulos, sinônimos, derivações corretas ou mesmo acepções das palavras, essa literatura não pode correr o risco de estar obsoleta ou distante da língua que falamos. Fica então, a curiosidade em saber como ocorre o processo de atualização de um dicionário.
Provavelmente o mais popular e usado, no Brasil, seja o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, batizado de Dicionário Aurélio, que já teve três edições desde que foi lançado, em 1975, pelo professor e lexicógrafo alagoano Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira. De tão consultado pelos brasileiros, Aurélio virou sinônimo de dicionário. Foi o primeiro integralmente produzido no país e que contemplou os brasileirismos, tornou-se depositário do português falado pelo homem comum e consagrou-se como obra de grande referência do vernáculo, define Vitória Rodrigues e Silva, gerente editorial da Editora Positivo, de Curitiba, que adquiriu, em 2003, os direitos da edição da obra.
Nesse sentido, de registro das variações das palavras faladas pelo povo brasileiro, pode ser visto como documento histórico. Até hoje, calcula-se que já foram vendidos mais de 45 mil exemplares da obra. Desde 1994, quando ainda era impresso pela Editora Nova Fronteira, a literatura não ganhou uma nova edição. A atualização é constante, sempre que se faz uma reimpressão, mas se trata de pequenos ajustes, de revisão. Uma nova edição demanda tempo e um imenso trabalho de muitos profissionais. Estamos falando de uma obra de 3 mil páginas e de mais de 435 mil verbetes, informa Vitória, completando que a Positivo já trabalha na quarta edição, que não tem previsão de lançamento.
A atualização de verbetes, definições e locuções ou mesmo a autorização para uma nova edição do Aurélio são avaliados e realizados pela equipe de lexicógrafos de Dona Marina Baird Ferreira, viúva do professor Aurélio, que trabalha no Rio de Janeiro. Cabe a editora, que tem uma equipe exclusiva para o desenvolvimento editorial da obra, selecionar, editar, produzir, diagramar e criar novos produtos para o mercado. Um dicionário tanto agrega verbetes quanto perde também. O Aurélio tem a característica de ser contemporâneo, de oferecer ao consulente aquilo que é de uso corrente da língua, reforça a gerente editorial.
No ano passado, Plutão deixou de ser um planeta, então se faz necessária essa alteração. Ou digamos que um verbete como cabriola tenha virado uma gíria que demande uma nova acepção, explica. Cartas e sugestões de consulentes e da Editora Positivo, com pedidos de inclusão de verbetes ou alteração de descrição, são repassadas para a equipe de Dona Marina. Os lexicógrafos também pesquisam quais são os termos e expressões novas da língua coloquial e verificam a necessidade de alteração. Para incluir novos verbetes, a equipe acompanha o uso do termo, por cinco anos até para evitar modismos , se ele persistir e não tiver o significado alterado, é aprovado e incorporado à obra.


