DIA
DOS NAMORADOS
Ele vem como quem não quer nada. Ela lança aquele olhar travesso. Um risinho daqui, outro dali. De repente, uma flor. O número de telefone. Um beijo. A renovação dos encontros. Um motel. Pode começar assim um relacionamento duradouro ou apenas mais uma experiência amorosa passageira. Não importa. Namoro é uma espécie de primeiro grau antes de se prestar o vestibular para o casamento. Todo mundo passa por ele mesmo que não conclua o nível superior. Você já reparou que quase todo namoro começa com um presente? Pode ser uma flor, um simples bilhetinho ou mesmo um beijo roubado. A tradição de presentear quem se ama renova-se a cada Dia dos Namorados e move indústria e comércio. Mas não é nem pela tradição, nem pela economia nacional que um casal de namorados vai às lojas. O que eles fazem é uma troca de lembranças, boas lembranças. Quem não tem dinheiro pode recorrer à inspiração. Um bom poema, tirado do fundo do coração, mesmo que com versos de pé quebrado, pode valer bem mais do que um presente de última hora, dado apenas como obrigação, mesmo que caro. A lembrança é mais importante do que o presente em si. No mais, o ato de presentear, de se dar, não deve se restringir a datas, mas repetir-se a cada encontro.

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