DIA DOS NAMORADOS - Jovens aprendem a se relacionar melhor na Igreja
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sábado, 11 de junho de 2005
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em meio à geração do ''ficar'' ainda é possível encontrar casais de namorados dispostos a manter um relacionamento estável. Um exemplo da fuga da superficialidade nas relações são os grupos de jovens ligados à Igreja Católica que se reúnem, periodicamente, para discussões e troca de experiências em torno do período do namoro, noivado e casamento. Invariavelmente, a busca é, justamente, pelo fortalecimento da relação a dois.
José Augusto Hey, um dos mentores do Encontro de Namorados na Arquidiocese de Curitiba, conta que foi a partir da dificuldade da maioria dos jovens em ter com quem discutir assuntos relacionados ao namoro que surgiu a idéia de criar o grupo, há cerca de 10 anos. ''Em geral, os jovens não tem muito diálogo em casa, porque são de famílias desestruturadas ou pela própria falta de abertura'', analisou. Atualmente, a equipe formada por cinco casais divulga a idéia nas paróquias, oferece auxílio e a partir daí os próprios líderes comunitários organizam os encontros.
Para o padre Aleixo de Souza, da paróquia Senhor Bom Jesus da Coluna, de Rio Negro, onde grupos de namorados também estão se multiplicando, os pedagogos cristãos modernos estão atentos à necessidade de iniciar mais cedo a preparação para o casamento ''para um sim mais confiável e convincente, que terá que vir acompanhado de maturidade e clareza''.
O pároco defende, no entanto, que pais e educadores desenvolvam habilidades para estabelecer uma relação eficaz de ajuda aos jovens na hora de tratar esses assuntos, com um diálogo franco e não apenas disciplinador teórico e repressivo. ''Não dá para impor conceitos meramente disciplinares. Moralismo pelo moralismo ninguém mais aceita'', ponderou.
Padre Aleixo destacou que a Igreja não vai rever suas posturas em relação ao matrimônio cristão, que tem como essência a indissolubilidade. ''São fundamentos ideológicos, bíblicos, que não cabe à Igreja rever'', afirmou.
Um dos pontos reforçados no trabalho voltado aos jovens casais de namorados é em relação ao que a Igreja entende como verdadeiro sentido do amor. ''Amor não é satisfação de carência. Se você não tem nada a oferecer, não busque ao outro'', reforçou padre Aleixo.
A questão da sexualidade não é debatida, abertamente, nos encontros de namorados, até porque a Igreja tem um posicionamento sólido em relação à prática de sexo antes do casamento. ''A Igreja não pode concordar com essa filosofia pan-sexualista que existe no mundo. É antipático, é. Mas, se alguém deve ceder, a Igreja será a última'', declarou padre Aleixo.
O pároco acredita, inclusive, que a sociedade está retomando valores de antigamente. Ele cita como exemplo a iniciativa do presidente dos Estados Unidos, George Bush, de reforçar as políticas de educação sexual entre adolescentes, que pregram a abstinência de sexo (leia mais nesta página).


