DIA DO PROFESSOR - Dedicação e satisfação além da sala de aula
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sábado, 14 de outubro de 2006
Marta Ortega<br> Reportagem Local 
Todas as profissões têm seus méritos. Mas educar é, sem sombra de dúvida, uma das mais bonitas. Imagine uma sala de aula, com crianças que mal aprenderam a falar e o mestre ali, ensinando. Aos poucos, as letrinhas vão se juntando, as frases vão se formando e, de repente, a magia do aprendizado nos apresenta um aluno totalmente alfabetizado, pronto para descobrir o mundo. A partir daí, é só buscar os livros e os ensinamentos de outros mestres.
Definir profissões não é fácil, mas os professores, decididamente, precisam ter vocação. E vocação é o que fez Lucinéia Fernandes de Assis e Dirceu dos Santos Brito dedicarem longos anos de suas vidas ao ensino. Depois de cursar o Magistério, Lucinéia formou-se em Letras, especializou-se em Educação Especial e está cursando psicopedagogia para aprimorar ainda mais o trabalho. E é no dia-a-dia da escola que ela busca a satisfação profissional.
Os alunos são como os filhos, que ela ainda não tem. Ensinar para Lucinéia é uma obrigação que exige horários e muita dedicação extra-sala de aula, o que significa levar tarefas e provas para corrigir em casa. Atividades que ela cumpre com prazer.
Estar na sala de aula com os estudantes, ensiná-los a compreender problemas e, principalmente, ajudá-los a superá-los, fazem parte de uma rotina que ela quer levar para o resto da vida. ''Desde pequena quis ser professora. Sempre tive uma admiração especial por minha primeira professora, que me acompanhou da 1 à 4 séries''.
Além de todo o esforço que a profissão exige, Lucinéia ainda dedica parte do tempo àqueles alunos com maior dificuldade de aprendizado. Por meio de um programa desenvolvido pela própria escola, com apoio do Núcleo Regional de Ensino (NRE), ela é responsável pela Sala de Recurso, onde 23 alunos, divididos em grupos, recebem de Lucinéia atendimento individualizado. ''Os alunos trazem as dúvidas que precisam ser trabalhadas e, por intermédio de jogos, vamos superando esses problemas''.
Assuntos como drogas, problemas familiares, violência e sexualidade são discutidos durante o atendimento. ''Acabo criando laços afetivos com os alunos que, aos poucos, vão se abrindo comigo, contando os problemas e, juntos, vamos tentando resolver''.
A professora ressalta que trabalha, principalmente, a auto-estima, a afetividade e o emocional dos alunos. ''Não damos atenção apenas à parte acadêmica. Cuidamos também do emocional deles. O atendimento que o professor do ensino regular não pode dar, eu dou''.
Os alunos são avaliados periodicamente pela equipe pedagógica da escola. Todos os resultados são repassados para o Núcleo, que avalia a liberação do aluno. ''Acompanhar o progresso deles, o crescimento e a superação dos problemas é um trabalho muito gratificante. Você passa a ver os alunos com outros olhos''.
Dedicação - Formado há oito anos em Matemática, Dirceu dos Santos Brito, que leciona na mesma escola que Lucinéia, é o responsável pela Sala de Apoio, e também presta atendimento individualizado aos alunos com problemas de aprendizado. É um trabalho complementar. Pequenas falhas, na matéria considerada o ''terror'' para muitos alunos, são superadas com a dedicação do professor, que sempre teve facilidade com a disciplina.
Ele atende alunos da 5 à 8séries do ensino fundamental e também do ensino médio duas vezes por semana. A avaliação é feita no início do ano e os alunos, com dificuldade no conteúdo, ficam sob a responsabilidade de Brito. ''A educação tem um papel muito importante na vida do aluno e esse reforço é fundamental para eles''.
É nessa hora que ele repassa aos estudantes tudo o que aprendeu ao longo dos anos, também com a ajuda de professores. Dificuldades de operação, interpretação de problemas. ''Os alunos vão descobrindo que todos os problemas podem ser resolvidos''.
A tarefa não é fácil e exige dedicação e paciência. Materiais pedagógicos são utilizados para ajudar na compreensão dos problemas. ''É um processo lento, mas aos poucos vamos percebendo os avanços. Quando isso acontece, é muito gratificante. Faz a gente se sentir realizado''.
Eligreisson, Alan, Eliane, Endrio, Weslei e Flávia, que fazem parte dos dois grupos de atendimento, não faltam às aulas de reforço e já percebem a diferença no dia-a-dia nas salas de aula. ''Os professores ensinam bem'', fazem questão de frisar.


