Dia de pânico no mercado mundial. Ações 'derretem', petróleo dispara
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de setembro de 2001
Das agências 
O mercado mundial recebeu ontem um durís simo golpe com os atentados contra as torres do World Trade Center e o Pen tágono: as ações caíram vertiginosamente, o dólar perdeu terreno ante o ouro e o euro, e o petróleo chegou a ganhar mais de três dólares. Os dois aviões civis lançados contra as duas torres do World Trade Center em Nova York, todo um símbolo do capitalismo, enquanto que o Pentágono era também objeto de um ataque espetacular, inédito, abalaram os mercados financeiros do mundo todo.
Horrorizados com as imagens transmitidas ao vivo pelas TVs americanas, os meios financeiros tiveram os mesmos reflexos: vender ações e dólares e comprar ouro, considerado ainda um valor de refúgio no período de agitação. O preço da onça do ouro subiu 20 dólares, indo para 291 dólares, seu maior nível desde junho de 2000.
O preço do petróleo subiu em Londres quatro dólares em uma só hora. O barril do Brent foi para 30,10 dólares. Na América Latina houve uma reação contrária: o dólar retomou o caminho ascendente, ante as moedas locais claramente menos atraentes em caso de caos. As Bolsas argentina, mexicana, brasileira, peruana, chilena, venezuelana, colombiana, foram fechando uma após a outra.
As praças européias, que haviam subido até 2% no meio do dia depois das fortes quedas da semana anterior, perderam a cabeça e cederam entre 7% e 10%. Paris, que subia 1,15% antes das explosões em Nova York, perdeu 7,39%. O índice CAC 40 se situou a 4.059,75 pontos, o pior nível desde março de 1999.
A Bolsa de Frankfurt não chegou a fechar depois de um alerta de bomba, informou à AFP um de seus porta-vozes. Os dirigentes da Bolsa decidiram fechá-la às 19H15 (14H15 de Brasília), isto é, 45 minutos antes do fechamento habitual. O índice dos 30 valores líderes da praça, o DAX, perdia nesse momento 8,49%. A Bolsa de Londres, que havia sido evacuada pouco depois dos atentados, continuou no entanto com suas operações, fechando em queda de 5,72% a 4.746 pontos, o nível mais baixo desde 1987. Amsterdã perdeu 6,95% fechando a 449,94 pontos. Madri cedeu 4,56%. As ações das companhias aéreas caíram enormemente, como as seguradoras. As da Air France perderam 16,3%, e as de Amadeus, o operador europeu de reservas aéreas, 18,8%.
O petróleo ganhou terreno. Em Viena, o secretário geral da Opep, Ali Rodriguez, disse que a Organização de Países Exportadores de Petróleo vai garantir o abastecimento ''adequado'' do mercado de petróleo para estabilizar as cotações, após os ataques terroristas nos Estados Unidos.
Ele assegurou em comunicado que os membros da Opep ''estão dispostos a utilizar sua capacidade excedente, se necessário'' para garantir ''o abastecimento e a estabilidade dos preços. O mercado petroleiro de Londres anunciou no final do dia (hora local) que abrirá normalmente nesta quarta-feira, apesar dos atentados.
O euro, finalmente, saiu beneficiado. A meados da tarde em Londres estava cotado 0,9118 centavo de dólar. Os meios financeiros aguardam temerosos a reação de Wall Street se a Bolsa nova-iorquina abrisse suas portas hoje. O que, no entanto, não acontecerá. Ontem, no início da noite, o governo norte-americano anunciou que as principais bolsas do país se manterão fechadas quarta-feira.
O Federal Reserve (Fed, banco central) dos Estados Unidos anunciou em seu site na Internet que o sistema financeiro dos Estados Unidos ainda trabalha, estando pronto para dar liquidez se for necessário, depois dos atentados registrados no país. ''O sistema do Federal Reserve está aberto e operando. Os empréstimos e as taxas de redesconto estão disponíveis para satisfazer as necessidades de liquidez'', afirmou o Fed em breve comunicado.


