São Paulo - Com a função de ir além do entretenimento, servindo como estímulo para as habilidades sensoriais e cognitivas das crianças, os brinquedos educativos superaram também a fama de chatos, caros e pouco diversificados. Fabricados tanto por pequenos artesãos quando por grandes empresas, estão mais atraentes, coloridos e variados. Ganharam espaços nos shoppings centers e espalharam-se por lojas especializadas.
Para quem pesquisa ou trabalha com o tema, o impulso é resultado de uma sequência de fatores: a valorização da educação infantil, devido a uma conscientização maior de psicólogos e pedagogos sobre a importância do período, a percepção dos pais dessa necessidade e a busca dos fabricantes para oferecer novos produtos.
''Antigamente existiam butiques de brinquedos educativos, porque tinha meia dúzia de opções e eram caríssimos. Isso mudou, mas continuamos com um público exigente, que nos obriga a pesquisar e procurar novos fornecedores'', afirma Maria Paula Bela de Souza, proprietária da loja Catavento.
Nas lojas, cinco mil tipos de brinquedos fornecidos por 500 fabricantes de artesãos regionais, encontrados durante viagens por vários Estados, a grandes fabricantes, que editam livros, CDS e jogos infantis. ''Tem mais gente fazendo, e com uma preocupação maior. Por exemplo, fizemos uma série de animais da fauna brasileira e fomos pesquisar com biólogos e veterinários, para fazê-los parecidos com a realidade e para montar uma ficha sobre cada um'', diz Maria Lemos, da Bichos de Pano.
Para a dona-de-casa Elizabeth Miranda Costa, esses brinquedos e jogos são essenciais na educação de sua filha. ''A maioria dos brinquedos que eles vêem na televisão é muito pronto, não sobra espaço para a imaginação'', diz
Mas ainda há muitos mitos envolvendo os brinquedos, segundo os especialistas. O primeiro deles é a idéia de que comprando o brinquedo e entregando-o à criança, ela sozinha vai desenvolver suas potencialidades.
''Não há brinquedo auto-educativo. O que dá força é a intervenção do pai ou professor, para fazer com que ele cumpra sua função e seja realmente educativo'', afirma o educador Celso Antunes, autor de vários livros sobre cognição e inteligência e consultor da Associação Internacional pelos Direitos da Criança Brincar.
Para explicar isso, o educador recorre a uma comparação: ''Pergunto aos pais se eles conseguem dar ao filho a mesma atenção que dão quando são chamados no trabalho para conversar com o chefe. É o mínimo que devem fazer, mesmo que seja por 15 minutos todos os dias''.
O segundo problema está na falta de uma ''bula'' desses brinquedos, ou seja, muitos pais diante das opções não sabem como brincar com as crianças. O terceiro ponto é o próprio conceito de brinquedo educativo, geralmente limitado a simples peças de madeira e jogos de raciocínio.

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