Deuses do amor
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Há oito anos, o professor de História Carlos Oliveira teve um encontro que mudou sua vida para sempre. Durante um curso de Memorização, ele conheceu Celine Imaguire, 14 anos mais velha e especialista numa área no mínimo peculiar: o mundo das artes sensuais.
Carlos, um fã da literatura erótica, logo se afinou com Celine, instrutora do curso Deusa do Amor, sobre auto-estima e sensualidade para mulheres. A ementa? Sexo tântrico, Kama Sutra, massagens, hiperorgasmo, pompoarismo, dicas de sedução...
Não demorou muito e o professor virou uma espécie de modelo das aulas, ajudando a ilustrar as posições ensinadas pela namorada. O passo seguinte não poderia ser outro criar um curso semelhante, porém voltado para homens.
Após fazer uma pós-graduação em Orientação Sexual numa faculdade de São Paulo, Carlos se viu apto para seguir o caminho de Celine. Antes, porém, trocou o sobrenome Oliveira por Kadosh (sagrado em hebreu), para não ficar tão comum. Hoje, aos 34 anos, ele percorre o país ajudando alunos a se aperfeiçoar sexualmente.
Cursos de artes sensuais não são uma novidade entre as mulheres. Vira e mexe o tema volta à baila, como aconteceu com o recente fenômeno da dança do poste, impulsionado pela novela Duas Caras. Mas aulas exclusivas para homens ainda são pouco conhecidas e divulgadas.
Kadosh conta que conseguiu formar apenas quatro turmas nos últimos oito anos. Seus alunos preferem ser atendidos individualmente, para evitar constrangimentos e sanar dúvidas específicas.
E se engana quem pensa que o perfil do público se baseia em homens com dificuldades sexuais. Quem o procura está feliz com seu desempenho na cama, porém quer turbiná-lo. Sou um orientador, não um terapeuta. Não prometo curas, faz questão de deixar claro.
Ao contrário das mulheres que se matriculam na Deusa do Amor, os alunos de Kadosh não querem aprender a seduzir ou criar climas eróticos. Em 90% dos casos, o negócio deles é explorar o pompoarismo masculino um conjunto de técnicas e exercícios voltados para a contração dos músculos eretores do pênis.
A média da ereção no Ocidente é de 90 graus. Com esses exercícios, de origem oriental, é possível chegar a 120 graus, na altura do umbigo, explica, com uma caneta na mão, o orientador.
Mas nem tudo se resolve com o pompoarismo. Para Kadosh, o problema dos homens é não se colocar racionalmente durante a relação sexual. O sujeito pode até ser romântico na hora das preliminares. Só que, no ato em si, ele age de forma primitiva e acaba com tudo muito rápido. Isso é uma armadilha da natureza, para a gente se multiplicar.
Kadosh é adepto do tantrismo, cujos ensinamentos dão conta de que é possível alcançar saúde, prosperidade e longevidade pela via do sexo. O segredo, segundo ele, está na transmutação do vigor sexual em outros tipos de energia. Para isso, é preciso ser mais cerebral e menos impulsivo na hora H.
Outros fatores que comprometem a performance na cama são a má alimentação, o tabagismo e o alcoolismo. Como bacias de frutas todos os dias. Nos palácios dos sultões, há frutas por todos os lados. Elas têm energia vital, diz o professor. Quanto aos exercícios físicos, melhor tomar cuidado. Não recomendo a bicicleta, pois puxa a musculatura para baixo. O ideal é pular corda, afirma.
Juntos, Carlos Kadosh e Celine Imaguire comandam uma espécie de holding erótica. Além das aulas (no valor de R$ 60 por hora), editam livros sobre sexualidade e mantêm um laboratório de produtos naturais. Nada mal para quem lecionava em um curso supletivo para funcionários dos Correios.
Ainda assim, ele continua ajudando a mulher nas aulas para as turmas femininas. Sem a menor cerimônia, passa horas de roupão ou sunga diante de dezenas de alunas. Não tenho o menor problema com isso. Para falar a verdade, é o que mais gosto de fazer, confessa o dublê de instrutor e modelo. Se existe mesmo a tão discutida crise do macho contemporâneo, ela, definitivamente, não passa por ali.


