E não é que a sexagenária e frondosa mangueira do Santuário de Schöenstatt, que fica no pátio do Colégio Mãe de Deus, no centro de Londrina, neste 2012 está carregada de frutas em pleno mês de abril? E não é porque a velha árvore esteja caducando que produziu mangas cerca de três meses depois da época, pois o fenômeno está sendo observado em toda a região norte do Paraná.
No caso da árvore frutífera citada, há os que atribuam o fenômeno a um milagre da Mãe Peregrina de Schöenstatt – culto à Virgem Maria iniciado na Alemanha e que tem como sede nacional a capela de Londrina. Para o agrônomo Nilson Ladeia de Carvalho, 53 anos, a frutificação temporã, na verdade, tem a ver com as variações climáticas em curso no planeta Terra, nosso endereço no Universo.
Segundo Carvalho, a Manga Rosa (Mangífera indica L.), bem como as demais variedades, produzem os frutos entre os meses de novembro, dezembro e janeiro, ou seja, desde o final da primavera até o apogeu do verão. Por isso, a produção no outono, iniciado em 20 de março, tem chamado a atenção de pesquisadores e apreciadores da fruta.
"A ocorrência de chuvas abaixo da média entre outubro e novembro do ano passado, por causa do fenômeno natural La Niña - resfriamento das águas do Oceano Pacífico -, provocou uma baixa produção de mangas", explica o agrônomo que há 27 anos atua na Emater – Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural.
Além da precipitação pluviométrica baixa, lembra Carvalho, nos meses de novembro e dezembro "fez um friozinho extemporâneo, que interferiu na produção de mangas, que reivindica calor e água no processo de frutificação". Esta associação de fenômenos, de acordo com o agrônomo, explica a produção temporã.

Perdas
Se para os apreciadores de uma das frutas mais populares do Brasil a produção fora de época está sendo um deleite, para os produtores de soja e milho a ausência de chuvas no período do plantio provocou muitas perdas. "No Norte do Paraná a quebra da safra ficou em torno de 20%, mas no Sudoeste do Estado este índice chegou a 40%", informa Carvalho.
Segundo ele, o La Niña é velho conhecido dos pesquisadores, mas de uns tempos pra cá, tem sido mais sentido. "Na Água do Lontra, na Bacia do Ribeirão Cafezal, há cerca de oito anos a água escasseou como nunca havia ocorrido antes", disse. Em 2010, a vítima foi o município de Primeiro de Maio, cerca de 40 km ao norte de Londrina, onde um rio quase secou.
Para o experiente agrônomo, a solução do problema passa pela reconstituição das matas ciliares dos rios da região. "Nossos antepassados, por desconhecimento, não se preocuparam com a preservação dos rios. Por isso, o prazo final de 2018 para o replantio das matas ciliares precisa ser cumprido, sob pena de as perdas provocadas pelas variações climáticas se intensificarem."

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