Nunca é tarde para estudar. Casada e mãe de dois filhos, Maria Aparecida Marcon Marins, 50, aproveitou o embalo dos filhos entrando e saindo da universidade e resolveu prestar vestibular. Aprovada em Direito, ela teve de abrir mão do descanso e dos churrasquinhos de fim de semana para dar conta dos afazeres. Afinal, estudar era um sonho.
''Sempre gostei de estudar, mas casei cedo e o meu marido não aceitava a idéia de me ver frequentando uma universidade'', lembra Maria. Depois de criar os filhos e com a vida mais calma, decidiu que era hora de correr em busca de uma carreira como advogada.
Idéia aprovada pelo marido, ela não perdeu tempo. Hoje, cursando o terceiro ano de Direito, trabalha das 8h30 às 18h, na empresa da família, e à noite vai para a faculdade. ''Acordo cedo para cuidar dos afazeres de casa, porque não tenho empregada, então deixo tudo organizado antes'', relata a mãe universitária.
Para dar conta das obrigações do curso, Maria reserva o sábado e domingo para se dedicar aos estudos. Quando o assunto é lazer, ela brinca: ''isso não me pertence mais, fazer o quê?''
Em alguns momentos o cansaço é tanto que Maria já pensou em desistir, mas encontrou, nos filhos e nas amigas de sala, forças para continuar. ''Você chegou até aqui, agora vai até o fim'', incentivam as colegas.
Para dar conta da quantidade de compromissos assumidos, é preciso muito jogo de cintura. Segundo a psicóloga e escritora Carmem Garcia de Almeida, ''a mulher hoje deve ter organização e planejamento diante do número de exigências que sofre''.
Nas últimas décadas, várias mulheres enfrentaram a vião machista de que veio ao mundo para ser submissa e deram novos rumos às suas vidas. Elas saíram à luta e conquistaram o seu espaço. Estão nas universidades, no exército e nos mais variados setores que movimentam a economia. Em alguns lugares, já são a maior parte.
A batalha é incessante como demonstra a universitária Maria, ''minha vida é bastante corrida, o tempo é escasso, às vezes tenho só 15 minutos de almoço, mesmo assim não pretendo parar tão cedo. Depois da faculdade de Direito quero cursar Psicologia''.
Maria diz seguir o velho provérbio chinês que afirma: ''Na vida, existem três coisas que não têm como voltar atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida''. (K.L.)

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