DESTINO: LUA - Será a vez dos chineses?
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sábado, 18 de julho de 2009
Carlos Orsi<br> Agência Estado 
São Paulo - De julho de 1969 a dezembro de 1972, 12 homens caminharam na Lua. Em 4 de agosto de 1969, apenas duas semanas depois do histórico pouso da Águia, depois do qual Neil Armstrong e Buzz Aldrin tornaram-se os primeiros homens a pisar no solo lunar, o cientista alemão Wernher von Braun já apresentava à Força-Tarefa Espacial, um grupo de assessoramento do então presidente dos EUA Richard Nixon, um plano para o envio de astronautas a Marte que culminaria com o lançamento, em 1981, de duas naves movidas a energia nuclear, cada uma com seis pessoas a bordo. O primeiro homem pisaria em Marte em 1982.
As naves idealizadas por Von Braun, cada uma com 90 metros de altura e três motores nucleares, seriam montadas e abastecidas em órbita da Terra, a partir de uma estação espacial que deveria ser lançada nos anos 1970. Os astronautas só iriam ao espaço quando os veículos estivessem prontos.
A viagem a Marte duraria nove meses - Von Braun previu um voo espacial de 12 de novembro de 1981 a 9 de agosto de 1982. Os astronautas ficariam de 30 a 60 dias na superfície de Marte. A primeira expedição humana desembarcaria de volta no planeta Terra em fevereiro de 1983.
Os primeiros passos do homem em Marte, prometeu Von Braun, não serão menos emocionantes que os de Armstrong na Lua. Novas missões levariam ao estabelecimento de uma colônia em solo marciano até 1989.
No entanto, o homem não voltou à Lua e os planos de conquista de Marte elaborados por Von Braun não se concretizaram, porque não houve o investimento de bilhões de dólares necessários para recriar a tecnologia que na época permitiria a exploração do espaço.
A questão era mais política do que financeira. O pouso da Águia, seguido pela caminhada de Armstrong e de seu colega Buzz Aldrin na Lua, marcava o cumprimento de uma promessa feita por John F. Kennedy, em 1961: Acredito que esta nação deve se comprometer em, antes que a década acabe, colocar um homem na Lua e trazê-lo em segurança de volta à Terra.
Quatro anos antes a União Soviética havia posto o Sputnik em órbita. O programa Apollo fora concebido como parte de uma corrida, uma disputa de prestígio e de tecnologia.
Nas palavras de críticos como o engenheiro Robert Zubrin, criador do projeto Mars Direct para a exploração de Marte, o Apollo foi um programa de bandeiras e pegadas. Uma vez que a bandeira fosse fincada e as pegadas, imortalizadas na superfície sem ar da Lua - onde não existe vento e chuva para apagá-las -, não havia por que continuar.
Não que essa lógica já estivesse explicitada. O Programa Apollo havia sido concebido como uma série de 20 missões, e uma delas poderia até mesmo ter ido ao lado oculto da Lua, que continua intocado.
Vencida a corrida espacial pelos EUA e encerrada a Guerra Fria, a ideia de levar seres humanos para além dos 300 quilômetros de altitude em que voa a Estação Espacial Internacional parecia quase esquecida quando o coronel da força aérea chinesa Yang Lewei foi à órbita da Terra e retornou a salvo, em outubro de 2003. Com isso, a China se tornava o terceiro país capaz de enviar seres humanos ao espaço, e o primeiro a desenvolver tecnologia de forma independente, em mais de 40 anos.
Depois de enviar uma sonda orbital ao satélite, o programa chinês prevê o envio de um robô móvel à Lua em 2012 e, embora os chineses neguem que haja uma data definida para o envio de astronautas, essa intenção é clara. O último astronauta a deixar a Lua em 1972, Gene Cernan, disse, ao embarcar de volta à Terra, que dava o último passo do homem nesta superfície (...) esperamos que não por muito tempo. Ele provavelmente não previu que se passariam talvez 50 anos antes do passo seguinte.


