Despertar de vidas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de novembro de 2010
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
A dança como inclusão social, que emociona pelos passos milimetricamente sincronizados, força de vontade e pura paixão pela arte. Na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Ibiporã, o grupo de dança moderna Despertar dá vida nova para 16 alunos especiais da entidade. Formado em 1994, o grupo foi criado com o simples objetivo de auxiliar no desenvolvimento físico e mental do pessoal, mas acabou se tornando referência em todo o País, conquistando diversos prêmios nacionais e disseminando a arte de forma surpreendente para toda a comunidade.
Para a professora Rosânia Almeida, que comanda o Despertar desde o início do projeto, com o trabalho de dança contemporânea é possível ver o potencial de cada aluno de forma única, sem perder o foco nas técnicas de dança. Nós percebemos que o comportamento deles se transformou. O envolvimento com os ensaios e as competições é muito grande. Eles se sentem valorizados, se tornam artistas e cidadãos, ressalta Rosânia.
Com o passar do tempo, o Despertar, que conta com uma ótima estrutura da Apae de Ibiporã, com 210 alunos, se transformou em referência para as Apaes dos quatro cantos do Brasil. O grupo conquista premiações ano após ano e conta com o envolvimento não só dos alunos e professores, mas também da ajuda intensa dos pais desses alunos, um grupo médico e outro administrativo. Trabalhamos sempre com novos temas nas apresentações. Mais do que dançar, eles se envolvem em temas diferenciados, há toda uma parte teórica que os aluno entram em contato, explica a professora.
Muitos alunos da Apae da cidade participam de pequenas seletivas para ingressar no Despertar, que sempre está se renovando. Os dançarinos acabam ingressando no mercado de trabalho depois de um período no grupo ou mesmo se tornando artistas profissionais.
O aluno especial Gilmar Carlos Ferreira, de 22 anos, há cinco atua no grupo. Ele considera o Despertar a oportunidade de sua vida e pretende continuar dançando por muito tempo. Para mim, o mais gostoso é poder estar com os meus colegas, diz o rapaz.
Já para a artesã Elisabeth Ramos da Cruz, que possui uma filha de 11 anos no grupo de dança, é gratificante ver Thainara há seis anos atuando no Despertar. Ver minha filha se desenvolver dessa forma e viajar com eles para tantos lugares é muito bom, inexplicável.
Ontem, a turma inteira viajou para Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, onde participam de um evento artístico das Apaes de todo o País. O tema da apresentação de oito minutos é o cinema. Independentemente das limitações de cada um, tem que haver arte, paixão, um diálogo afinado com a dança. O grupo tem esse nome pelo simples fato de que é um despertar para a vida e para a arte. O importante é o espetáculo acontecer, salienta a professora Rosânia, que sonha com a profissionalização do grupo. O aluno especial também pode sobreviver apenas de arte, frisa.


