Infelizmente, os casos de Eliana e Diana são poucos entre milhares espalhados pelo Brasil. A diferença de rendimento entre homens e mulheres continua grande, apesar de ter diminuído na última década. É o que aponta trabalho recente dos professores do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit), Eugenia Troncoso Leone e Paulo Baltar.
Eugenia e Paulo são autores do artigo ''Diferenças de rendimento do trabalho de homens e mulheres com educação superior nas metrópoles'', publicado em setembro de 2006. De acordo com a pesquisa, mesmo com o ambiente desfavorável de desemprego apresentado nos anos 90, as mulheres superaram as funções domésticas e familiares ao se apresentarem com mais intensidade no mercado de trabalho especializado, com educação superior.
Segundo o texto, a força de trabalho feminina se polarizou entre as mulheres de alto nível de estudos e qualificação, que tem prestígio social e jornada completa; e a das mulheres com condições mais vulneráveis e com menor poder de negociação, em atividades consideradas socialmente femininas.
A falta de organização no próprio mercado, que entrou em profunda crise de desemprego nos anos 90, tornou o cenário nacional incapaz de absorver as mulheres em atividades específicas de acordo com suas habilidades e por isso acaba por remunerá-las de forma inadequada. O artigo pode ser lido na íntegra pela Internet pelo endereço www.scielo.br/pdf/rbepop/v23n2/a10v23n2.pdf. (C.Y.)

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