Desfiles na China, saudades de casa
Aos 27 anos e com vasta experiência com os holofotes e o típico vaivém das passarelas, Gean Lopes participou do Fashion Week, na China. ''Aprendi muita coisa, cheguei a morar em uma república com mais de dez pessoas, me sentia num Big Brother: havia intrigas, brigas, harmonia, mas o mais importante é que um colaborava com o outro'', enfatiza.
Encarando uma média de quatro castings por dia, Gean, que residiu a maior parte do tempo na capital, Pequim, teve um pouco de dificuldade para se adaptar à metrópole. ''No começo, não gostava daquele lugar. Era tudo muito sujo, muita poluição devido às obras para os Jogos Olímpicos do ano que vem. Para completar, poucas pessoas falavam inglês e como o mandarim é extremamente difícil, na maioria das vezes me comunicava com sinais e gestos'', revela.
A difícil comunicação e compreensão fez Gean vivenciar situações inusitadas até no supermercado. ''Não sabia se estava comprando shampoo para cabelo loiro ou escuro, se o tempero era shoyu ou pimenta. No fim, chegava a ser divertido, pois, além de boas risadas, acabávamos comendo de graça, experimentando os produtos que estavam sendo divulgados. Era uma forma de economizar'', conta, aos risos.
Em Shanghai, outra das gigantes do mapa chinês, Gean deparou com o que há de mais moderno. ''Shanghai é linda, moderna, tem de tudo lá. Porém, não gostei muito pelo fato de tudo ser longe demais, precisava andar de metrô para cima e para baixo, gastava muito'', conta o rapaz, que, na cidade com uma população de 15 milhões de habitantes, residia em uma república, na qual era o único brasileiro.
Para quem for à China, o modelo, que também é professor de passarela e afins, dá a dica: não há sábado ou domingo para descanso. ''Lá, todo dia é dia de trabalho. No meu caso, às vezes passava uma semana só indo para castings. Na outra, trabalhava sete dias direto''.
Próxima parada: Hong Kong. A estada por aqueles lados, alternada com o trabalho, serviu de férias para o londrinense. ''A cidade era fascinante, tudo muito iluminado. Além disso, a comunicação foi bem mais fácil, uma vez que todo mundo falava inglês'', relata o londrinense, morador, em Hong Kong, de um apartamento de 14 metros quadrados. ''O custo de vida é altíssimo, se comparado a Pequim''.
Na lista de trabalhos que fez, desfiles para marcas como Calvin Klein, Dunhill e editoriais para revistas, além de catálogos e outdoors, incluem-se no portfólio de Gean. ''Só não fiz um comercial para a Motorola porque já estava com a viagem de retorno agendada e não queria perder meu ticket''.
A volta, aliás, deu-se por um único motivo: saudades de casa. ''Voltei devido a saudade de amigos e familiares, estava entre o coração, que me mandava de volta, e a razão, que pedia para eu ficar. Obedeci meu coração'', conclui Gean que, por ora - e pela namorada - finca estacas em Londrina.(T.S.)





