Ao chegar a Londrina em 1935, um detalhe chamou a atenção do patologista Walid Kauss, 88 anos. A quantidade de telhados novos mostrava uma cidade nova e em desenvolvimento. Animado com a promissora possibilidade de estabelecer-se no Norte do Paraná, ele decidiu voltar para montar um laboratório e tentar a vida em uma terra nova. ''Quando voltei, pouco tempo depois, havia ainda mais telhados novos'', rememora o pioneiro, que em seguida montou um laboratório de exames clínicos na Avenida Paraná e passou a se dedicar ao atendimento médico na cidade.
Ao optar pela cidade, Kauss trocou um bem sucedido laboratório no Rio de Janeiro por uma carga de trabalho de até 20 horas diárias na recém-fundada Londrina. O médico, que ainda hoje presta atendimento em uma clínica particular, considera que a dedicação dos pioneiros foi decisiva para o desenvolvimento da medicina local. ''Sempre tivemos médicos estudiosos em Londrina'', garante.
Como exemplo, ele cita as reuniões feitas todas as quintas-feiras com os profissionais da Casa de Saúde Dr. Jonas para discutir os casos atendidos durante a semana. O médico Jonas de Faria Castro Filho, que foi contemporâneo de Kauss na Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil (RJ), também participava destes encontros.
Natural de Serra Azul (SP), Walid Kauss sempre foi precoce nos estudos. Entrou na faculdade aos 16 anos e aos 22 já era médico formado. Também graduou-se em odontologia. Com outros profissionais da Associação Médica de Londrina (AML), foi responsável pela criação das faculdades de Medicina e Odontologia, que integraram a criação da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O patologista foi professor catedrático da UEL até a aposentadoria, há ''cerca de 12 anos.''
Kauss rememora a dificuldade enfrentada nos primeiros anos na cidade para atender os pacientes. ''Numa oportunidade, tive de ir de carro a um sítio para colher material de exame. Levei microscópio e tudo. O paciente estava com apendicite e teve de ir rapidamente para a Santa Casa para fazer uma operação de emergência. Eu ainda ajudei na cirurgia'', recorda. Apesar das adversidades, os médicos pioneiros investiam no desenvolvimento técnológico. ''Até me casar e um pouco depois, eu ia uma vez a cada três meses ao Rio de Janeiro para atualizar meus estudos'', conta. F.R.F.

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