Imagem ilustrativa da imagem 'Desempenho fraco de rivais favoreceu reeleição'



A visibilidade que favorece os candidatos que estão no poder e o fraco desempenho dos opositores foram os principais fatores que levaram o governador Beto Richa (PSDB) a se reeleger no primeiro turno, mesmo com um primeiro mandato "sem destaques, sem qualquer feito extraordinário", avaliou o professor de filosofia política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Miguel Cenci.

Para sustentar o primeiro argumento, Elve lembrou que desde 1997, quando foi implantada a reeleição no Brasil, todos os presidentes (Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva) e governadores do Paraná (Jaime Lerner e Roberto Requião) conseguiram o segundo mandato. "O candidato que está no poder, que tem a "máquina" nas mãos, tem vantagem competitiva imensa, devido à maior exposição e visibilidade".

Em relação aos adversários, o professor avaliou que "Gleisi, que poderia ter feito a diferença, mas não conseguiu fazer a candidatura decolar" e "Requião fez uma campanha pouco enfática, sem estrutura e sem apoio do próprio partido". "Neste sentido, mesmo sem nenhum grande destaque, nenhum feito extraordinário no primeiro mandato – pelo contrário, com alto grau de dívidas e outra pendências – o governador conseguiu vencer no primeiro turno".

O professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emerson Cervi também atribuiu a vitória de Beto ao que chamou de "tendência mantenedora" que se verificou em nível nacional. "Praticamente em todos os estados onde era possível um segundo mandato, houve reeleição", disse, destacando também que "os adversários não conseguiram desenvolver suas campanhas. "Na última eleição, o (ex-senador) Osmar Dias fez mais votos que os dois candidatos juntos". Osmar fez 46% dos votos em 2010 e Requião e Gleisi, nesta eleição, 41%.

Quanto à vitória no primeiro turno, Elve acha que "isso pode dar um excesso de autoconfiança ao governador e, com maioria na Assembleia, deixar de discutir temas importantes para o Estado". Esses temas também ficaram de fora do debate eleitoral, como o pedágio, a queda do Paraná no Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb) e a autonomia universitária. "A campanha foi de baixíssimo nível de discussão e não houve compromissos que possam ser cobrados".

Elve também comentou a preferência do eleitorado paranaense pelo PSDB, escolha que tem se consolidado ao longo das últimas eleições. Nesta, os tucanos Alvaro Dias foi reeleito com 77% dos votos para o Senado e Aécio Neves foi o primeiro colocado com 49,79% contra 32,54% da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT). Apenas em Santa Catarina o tucano fez percentual maior que no Paraná (52,89%).

"O Paraná se insere dos Estados onde predomina o agronegócio, ao lado de Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, onde os eleitores são mais conservadores", avaliou o professor. "No Paraná, o sentimento anti-PT que se espalhou pelo País pegou com mais força. Em Londrina, embora a cidade já tenha tido prefeitos petistas, o PSDB sempre ganha as eleições estaduais e nacionais".

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