Desde 70 vendendo assinaturas
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Josoé de CarvalhoNoroel: quase 30 anos conquistando assinantesJota Oliveira 
Noroel Nunes de Oliveira, o Gordo da Folha, vende assinaturas do jornal desde 1970. Muita água já rolou por baixo da ponte, muitos caminhos foram abertos ou ampliados graças ao trabalho da equipe de assinaturas, da qual ele é o mais antigo. Já trabalhei de Ourinhos a Mato Grosso do Sul, conta. Angariou assinantes até no Paraguai. Nessa lida, somente Noroel tem vendido em média 150 assinaturas por mês ou 1.500 por ano, segundo seus cálculos - vendendo para assinante do asfalto e assinante do matão. O perfil do assinante mudou muito, diz ele, mas até hoje tem gente que assina para ler horóscopo, ou ver ofertas de automóveis nos classificados, por causa dos suplementos, aponta.
Noroel tem muitas histórias. Uma delas é de suas viagens a Mato Grosso do Sul, quando visitou a cidade de Capitão Bada, na divisa com o Paraguai, local de intenso tráfico de drogas. Ninguém queria saber de ler, e ele não fez nenhuma assinatura. Mas, do lado paraguaio, vendeu de 30 a 40 em um só dia, principalmente para donos de serrarias, quase todos brasileiros.
Em 1975, Noroel tinha um Fusca do ano. Os ladrões preferiam esse tipo de carro. Ali, perto da fronteira, era fácil atravessar. Em Mundo Novo, no hotel, não havia garagem. O gerente advertiu: havia risco de roubarem o carro na rua. Noroel foi a um posto, emprestou uma corrente com cadeado e amarrou o Fusca num poste, bem na frente da janela do quarto. De manhã o carro estava lá.
Noutro dia roubaram o carro de um colega de Noroel. Era um ladrão simpático, com o qual tinham feito amizade. O estranho simpático pediu o carro emprestado, em Dourados, para fazer um serviço rápido, e não voltou. Deram queixa à polícia, que saiu atrás, na estrada muito batida pelos ladrões em direção ao Paraguai. Os policiais acharam o rapaz na estrada, dentro do carro sem combustível. Era um dos mais perigosos e procurados ladrões de automóveis do País, informou a polícia.
Há uns 20 anos, em uma cidade do Paraná, voltou sem fundos o cheque de um assinante. Na viagem seguinte, Noroel levou o cheque e procurou o assinante: Deve ter havido um engano, o cheque do senhor voltou.... O assinante não quis acreditar, até que viu o cheque carimbado. Cheque meu não é devolvido, gritou, bravo, na frente de sua casa. Entrou e saiu novamente de casa. Ordenou a Noroel que o acompanhasse até o banco. O homem estava armado; até tremia de raiva, lembra.
Chegando ao banco (o extinto Nacional de Minas Gerais), o cidadão entrou, gritando, revólver na mão. Quero saber quem foi o FDP que devolveu meu cheque... O gerente veio logo, para acalmar o cliente. E alegou: O funcionário está em Maringá e não volta hoje. O assinante deu novo cheque a Noroel. De outro banco. O cheque foi pago.
História de encalhe é o que não falta: Noroel trafegava com seu Fusca pela estrada Pitanga-Manoel Ribas, quando encontrou um grande encalhe de veículos, parados devido a muita chuva. Ali perto do encalhe tinha um boteco onde os encalhados se esquentavam. Noroel foi lá, voltou ao carro, murchou um pouco os pneus e, quase encostando no barranco, conseguiu subir a estrada, sair do aperto. Quando cheguei em cima, o povo aplaudiu, recorda.
Um dia em Manoel Ribas, não havia mais lugar no hotel. Um engenheiro do DER quebrou o galho, improvisando uma cama, quando soube que Noroel trabalhava na Folha. No dia seguinte, cadê o engenheiro? Estava dormindo no carro. Não aguentara os roncos do Noroel!
Muitas vezes as pessoas confundem o jornal com seus funcionários ou representantes, que são chamados pasra resolver questões às quais nem estão ligados. Apenas por serem jornalistas, que para algumas pessoas é todo mundo que trabalha em jornal. Assim aconteceu com Noroel.
Chegando a uma cidade do Noroeste do Estado, Noroel não encontrava os assinantes, para fazer renovação. Parecia um feriado fora de época. Ele perguntava e ficava sabendo: Fulano está no ginásio de esportes.
Noroel foi lá. Todo mundo estava no ginásio, discutindo como deveria ser a posse do prefeito. Chegou a solução, o Gordo da Folha vai dirimir a dúvida, alguém gritou. E veio a pergunta: Como se dá posse ao prefeito? Ele sugere que se consulte um juiz eleitoral, mas, puxando pela memória, esclarece: Primeiro tem que dar posse à nova Câmara, que vai dar posse ao prefeito...
Em Fênix, no Vale do Ivaí, Noroel passava pela primeira vez, Parou para ver a cidade e perguntou a um cidadão: Como se chama este lugarejo aqui? Resposta sem demora: Cidadão, aqui é Fênix, município de tantos habitantes, com tantos pés de café e do qual tenho muito orgulho de ser o prefeito...


