DESCONTRAÇÃO - Vai entrar em FÉRIAS?... Aprenda a relaxar
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segunda-feira, 05 de fevereiro de 2007
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Não há quem deixe de contar nos dedos os dias para chegada das desejadas e merecidas férias. Aí é só fazer as malas e viajar para uma praia ou mesmo aproveitar o tempo para não fazer nada. Para alguns é momento sagrado de descanso, para outros, de diversão ao máximo. Deixando de lado, um pouco, a empolgação do momento, existem pessoas que não curtem as férias como deveriam, simplesmente porque não conseguem se desligar da rotina, nem se livrar do estresse acumulado ao longo de 12 meses de trabalho.
É triste. Para evitar futuras (e presentes) lamentações, a FOLHA Verão traz dicas e orientações de profissionais de diferentes áreas da saúde para ajudar quem precisa tirar férias de verdade. O psicólogo clínico e organizacional Tônio Luna ensina que o primeiro passo é aprender a se planejar com tranquilidade. Se organizar é essencial. Mas fica difícil descansar quando se tira apenas cinco dias de folga, porque a pessoa demora um tempo para adaptar-se. O ideal é um período entre duas e três semanas, informa ele, que também é conselheiro do Conselho Regional de Psicologia.
Outra orientação é aproveitar as férias para sair da cidade onde mora e trabalha. Quem tiver condições, deve ir para outro lugar, fazer uma viagem interessante, ir para um spa, visitar amigos que há muito tempo não vê. Buscar fazer aquilo que dá prazer. O que tira o estresse é a mudança de rotina, explica Luna. Tirar férias é uma necessidade orgânica. Existem pessoas que passam anos sem ter um tempo de descanso, mas acabam adoecendo de alguma forma, porque o cansaço do organismo acaba somatizando, alerta o psicólogo.
Depois de 35 anos trabalhando, Carlos Tostes, de 48 anos, pela primeira vez conseguiu tirar 30 dias de férias. Em geral, no segmento, se tira 20 dias. Mas fui observando que só depois dos dez primeiros dias é que eu conseguia relaxar de verdade. E quando estava ficando bom, acabavam as férias. Dessa vez será diferente, promete o gerente de Relacionamento de Pessoa Jurídica de uma agência bancária, que programou viajar com a mulher para Londrina e também para uma praia.
Antes quando eu saía de férias ficava a preocupação de deixar alguma coisa pendente no banco que poderia prejudicar algum cliente ou funcionário. Com o tempo, aprendi a delegar as funções para as pessoas
com antecedência, conta Tostes. Até porque antes existia o receio de acabar perdendo o emprego, porque você pensa que não vão sentir sua falta. Mas ninguém sobrevive sem férias. É primordial para a saúde e rendimento do trabalhador, pondera ele, contando que já programou para as férias do próximo ano uma turnê pela Europa.
O psicólogo Tônio Luna reforça que as férias são importantes para a manutenção física e mental da saúde. O corpo e o cérebro precisam de relaxamento. As pessoas se culpam por coisas absolutamente desnecessárias como ritmo de produção e ganhar dinheiro. Mas perder tempo nas férias para resolver isso no pensamento não ajuda em nada, critica ele. Você tem que aprender a se dar esse direito. Atividades como esporte, ouvir música, assistir a um filme ativam outras áreas do cérebro ligadas a criatividade. Um cérebro descansado é muito mais eficaz e torna a pessoa mais feliz, orienta Luna.


