No país do futebol, difícil ver a garotada interessada em outras modalidades por conta própria. É uma overdose de bola rolando pelos campos do mundo nas tvs abertas enquanto as outras modalidades ficam restritas aos canais fechados. Consequentemente, estão longe dos olhos de jovens e crianças de baixa renda. Junta-se a isso a falta de estrutura pública e de incentivo. No entanto, há alguns abnegados que resolvem levar esses outros esportes à criançada, mostrando um outro mundo e dando novas oportunidades a elas. Dois desses projetos merecem destaque em Londrina. Juntos, fazem mais de 2 mil crianças sonharem com um futuro no handebol ou na ginástica artística.
  Em maio deste ano, a coordenadora da Associação Londrinense de Ginástica Artística (Alga), Rosana Moreira, foi convidada pela direção da Secretaria de Educação para levar a modalidade aos alunos das escolas municipais que tinham a educação em período integral. A ideia era dar aulas de ginástica no contraturno para crianças da pré-escola, 1º e 2º anos do ensino fundamental, na maioria com idade entre 5 e 8 anos. Ela topou na hora. Mal imaginava o sucesso que seria o projeto meses depois. A criançada adorou, novos talentos surgiram, preconceitos foram quebrados e o projeto ganhou sobrevida com louvor. Já está garantido para o ano que vem.
  São 1,3 mil crianças de 12 das 13 escolas municipais com ensino em tempo integral - a única que ficou de fora não tinha as séries correspondentes ao projeto - disputando argolas, camas elásticas e os outros aparelhos da modalidade. Elas já tiveram a oportunidade de se apresentar duas vezes desde maio. A primeira foi na própria escola de cada uma. A segunda, foi no fim de novembro, no ginásio de esportes da Universidade Estadual de Londrina, com a presença de aproximadamente 1,1 mil ginastas mirins. Cada um exibia com orgulho a medalha no peito e o sorriso de satisfação no rosto.
  Muito mais do que uma atividade física, as aulas são momentos de liberdade das crianças. ‘‘A gente acredita que a criança com desafios como a ginástica melhora a confiança e a relação social’’, aponta Rosana.
  As aulas são realizadas duas vezes na semana nas próprias escolas e têm a participação de todos os alunos, tanto meninas como meninos. Ah, os meninos. Obviamente foi preciso quebrar o preconceito da molecada. Muitos ainda tinham a imagem de que ser ginasta é coisa de menina. ‘‘Temos levado nossos meninos para se apresentar e quebrar esse mito. A aceitação masculina foi bem maior’’, apontou Rosana.
  O projeto tem o custo anual de R$ 59 mil. Neste valor estão incluídos o material didático, equipamentos, salários de professores, capacitação e medalhas para os alunos.

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