As comemorações do Imin 90 deixam de contar, este ano, com a presença de um representante da família imperial japonesa, como sempre ocorreu no passado. É que o imperador Akihito e a imperatriz Michiko anteciparam a visita, feita no ano passado durante os festejos dos 89 anos da imigração.
Akihito e Michiko também estiveram no Paraná em 1978 (Imin 70), quando ainda eram príncipes. Em outras ocasiões vieram o príncipe Fumihito por uma vez e o príncipe Naruhito por outra. Ambos são filhos do casal imperial.
ParentescoA simplicidade da aposentada Yoshie Hayakawa, 80 anos, de Maringá (Norte) não deixa transparecer que ela e a família fazem parte da nobreza do Japão. Ela concorda que pode até ser parente de príncipes ou mesmo do imperador Akihito, mas deixa claro que o parentesco ‘‘é muito distante’’. Dona Yoshie mora com as filhas no centro da cidade, em uma casa nos fundos de lojas comerciais.
A descoberta da origem nobre da família Hayakawa aconteceu em 1987, através de um irmão de dona Yoshie, que mora no Japão. Ela conta que é comum entre as famílias japonesas fazer a árvore genealógica, que atravessa gerações. A família Hayakawa sabia da existência dos manuscritos, que datavam de muitos anos. O documento foi localizado pelo irmão.
Pelo manuscrito, que já tem uma cópia traduzida por amigos da família no Brasil, a árvore genealógica começa a contar do ano de 572, com o imperador Bidatsu. O documento mostra inclusive o brasão que era utilizado pela família desde aquela época. Dona Yoshie diz que a árvore genealógica também mostra a presença família da artista Yoko Ono, mulher do ex-Beatle John Lennon. ‘‘Durante muitas gerações, as famílias se dividiam em duas áreas, a agricultura ou as artes’’, explica.
O lado que originou a família de dona Yoshie foi para o campo depois da guerra, se tornando em sua maioria agricultores. ‘‘As famílias que perdiam as batalhas eram perseguidas, e na maioria das vezes se tornavam agricultores’’, revela. A elaboração da árvore genealógica foi feita a partir de manuscritos antigos e pesquisas de parentes até em cemitérios do Japão. O hábito do país é enterrar os parentes lado a lado conforme a evolução da família, o que possibilitou o levantamento de muitas informações nos cemitérios.
Outras informações foram conseguidas com religiosos, que sempre possuem documentos comprovando nascimentos e mortes dentro das regiões onde atuam. Apesar de ter mais de 10 metros de comprimento, com centenas de divisões, apenas o último quadro do manuscrito é referente à família de dona Yoshie. Ela observa que é difícil precisar o parentesco com imperadores que tiveram destaque na história do Japão, já que a partir do início do manuscrito várias gerações e reinados passaram pelo país.
Ela conta que chegou no Brasil em 1940 e foi morar em Valparaíso, interior de São Paulo. A família plantava arroz e algodão. Alguns anos depois, já casada, ela foi morar em Guararapes, também em São Paulo, e somente em 1952 se mudou para Floresta, a 25 quilômetros de Maringá, onde abriu uma casa comercial.
No início dos anos 60, a família Hayakawa se mudou para Maringá, onde Dona Yoshie vive com alguns dos oito filhos, 21 netos e três bisnetos. Ela conta que por duas vezes ficou perto do atual imperador Akihito. A primeira em Rolândia, nas comemorações dos 70 anos de imigração, quando ele ainda era príncipe. A última foi ano passado, quando Akihito, já imperador, esteve em Curitiba. (Colaborou Walter Ogama)Marcos NegriniOrigemYoshie Hayakawa mostra o manuscrito com a árvore genealógica da famíliaMarcos Zanatta

mockup