Embora nunca tenha participado das aulas de defesa pessoal exclusivas para mulheres, a universitária Roberta Machado, 18 anos, sabe exatamente o que significa estar atenta e preparada para enfrentar situações desagradáveis sem, no entanto, arriscar a vida. Há quase um ano ela iniciou o treinamento de krav magá e, duas semanas depois de começar as aulas, foi obrigada a colocar em prática algumas das técnicas.
''Estava em um ônibus e um cara começou a mexer comigo. Não dei atenção e ele insistiu. Quando levantei para descer, ele me agarrou pelo braço. Eu me defendi e consegui derrubá-lo'', conta ela, acrescentando que, atualmente, sente-se muito mais segura até mesmo para frequentar lugares onde não ia antes por sentir medo. ''Nossa visão periférica aumenta, a gente aprende a cuidar de si mesma'', conclui a estudante que é faixa branca, ou seja, está no primeiro nível do treinamento.
A sensação agradável de não precisar depender de ''alguém mais forte'' para enfrentar a vida parece dominar o espírito de quem busca um treinamento de auto defesa. Mais até do que se defender de assaltantes, os alunos buscam superar conflitos internos. ''A gente fica naturalmente mais atenta. Mesmo que alguém tente um ataque, a pessoa perceberá pela nossa atitude, pelo modo como agimos, que estamos preparados para qualquer coisa'', avalia a estudante de arquitetura Maria Isabel Brunetta, 19, que de frágil tem apenas a aparência. Ela é faixa amarela e treina com o namorado, Daniel Mandarino, 21, que conquistou a faixa laranja após seis anos treinando as técnicas desenvolvidas por mestre Kobi Lichtenstein, israelense considerado referência mundial na filosofia krav magá.

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