Curitiba - O Paraná já foi alvo de sequestros rotineiros de crianças nas décadas de 80 e 90. Um dos casos que mais chamou a atenção foi o desaparecimento do menino Guilherme Caramês, no dia 17 de junho de 1991. A então bancária Arlete Caramês, atualmente deputada estadual, foi a fundadora do Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida e aprovou em 2002 a Lei Municipal 10.529 que estabelece a terceira semana de junho como a Semana de Prevenção do Desaparecimento de Crianças.
De 2001 até agora, o movimento registrou 218 casos de desaparecimentos, sendo que 174 deles foram solucionados. A média de solução dos casos encaminhados para a instituição é de 79,8%. A delegada Márcia Tavares dos Santos, titular do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), concentra os casos de sumiço envolvendo crianças de até 12 anos. Desde que foi criado, em 1995, foram investigados 655 casos de desaparecimentos no Paraná. Deste total, 648 casos foram solucionados. ''A média de solução dos crimes é muito alta'', comemorou a delegada, que contabiliza uma média de 98,9% de solução de crimes investigados pela Polícia Civil e que envolvam o desaparecimento de crianças de até 12 anos.
Este ano, foram registrados 55 casos de sumiço no Estado, todos eles solucionados. Um dos motivos para o sucesso das investigações, segundo a delegada, é o fato de que, ao contrário do desaparecimento de adultos, a delegacia especializada inicia a busca logo após a queixa ter sido registrada. A comunicação imediata de todas as corporações policiais e o acompanhamento do Conselho Tutelar também foram apontados como pontos que auxiliam na recuperação das crianças desaparecidas. ''A orientação é sempre para que o pai procure imediatamente o Sicride. Os pais que avisam rapidamente têm mais probabilidade de recuperar rapidamente seus filhos'', disse a delegada Márcia.
Os casos envolvendo crianças com mais de 12 anos são investigados pela Delegacia de Vigilância e Capturas. De julho de 2003 a maio de 2004 foram registrados 745 casos de adolescentes desaparecidos somente em Curitiba e Região Metropolitana. Deste total, 593 foram esclarecidos e 152 estão pendentes. A delegada Kátia Chemin Branco, da Vigilância e Capturas, explicou que o índice de solução de casos é de 79,6%. ''A maioria deste tipo de fuga tem a ver com problemas familiares. São fugas mesmo. Temos que trabalhar com a família para conseguirmos bons resultados'', lembrou ela.
A coordenadora de divulgação do Movimento Nacional de Crianças Desaparecidas, Marília Marchese, lamentou que muitos dos adolescentes fogem de casa por problemas familiares e maus tratos. ''Eles são facilmente abordados por pessoas mal intencionadas e são presas fáceis das drogas e da prostituição'', destacou ela. Apesar dos casos positivos de resolução de desaparecimento de crianças, as denúncias de pedofilia não seguem os mesmos índices de sucesso. Dos 12 casos registrados no ano passado pelo movimento, 50% ainda estão sem solução. Os familiares e as crianças vítimas desse tipo de agressão são atendidos pelo movimento e recebem desde amparo psicológico até assitência social.

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