Desafios da adaptação escolar
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quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Luana Borges <br> Especial para a FOLHA 
O primeiros dias de escola é acompanhada por desafios tanto para os filhos quanto para os pais. Por um lado, a criança precisa enfrentar sozinha um mundo novo que se apresenta e lidar com as regras de um ambiente desconhecido. Seja aquela que entra na escola pela primeira vez ou o aluno que muda de instituição. Por outro lado, seus progenitores têm de cortar o vínculo e confiar nos profissionais que irão cuidar do filho. Essa matemática não é simples. Nos primeiros dias, os choros são comuns. Em muitos casos, as mães chegam a sofrer mais que as crianças. Por isso, o rompimento do "cordão umbilical" é feito por etapas quase homeopáticas. "Para entregar uma criança pequena nas mãos de um desconhecido, é preciso construir um laço com a escola", explica Gisele Favoretto de Oliveira, pedagoga e diretora da Escola Apoena.

Antes da chegada da criança, as escolas costumam fazer reuniões com os pais de cada aluno para estabelecer uma relação de confiança com eles e esclarecer a metodologia pedagógica. Depois de alinhadas as expectativas, o primeiro dia de uma criança pequena na escola tende a ser mais curto e sob o olhar atento e constante de um responsável. Gradualmente, as horas vão aumentando e a presença dos pais, diminuindo. Até que o aluno esteja à vontade com as professoras e os colegas. "Nós trabalhamos com uma educação personalizada e acreditamos que cada criança tem seu ritmo de aprendizado. Mas a adaptação começa para a família", pontua Alessandra Nascimento Peres, diretora geral e orientadora educacional do Centro de Educação Infantil Navegantes.
"Na creche ela podia interagir com outros bebês e fazer atividades diferentes, enquanto em casa não tinha nada disso"
O período de adaptação pode variar de acordo com a faixa etária da criança. Geralmente, crianças de 4 anos que antes ficavam em casa com a avó ou outro responsável e estão indo para a escola pela primeira vez são as que choram mais e demandam atenção por parte dos profissionais. Mas o aluno da mesma idade que apenas mudou de instituição costuma encarar tudo como novidade e não demora a se enturmar. Os bebês, apesar de sentirem falta da mãe em um primeiro momento, se adaptam rapidamente. Já as mães que deixam os filhos no berçário choram mais que eles geralmente. "Essa mãe fica olhando o bebê por uma porta e decide quando parar. Mas muitas não conseguem se desprender, principalmente as que demoraram mais a ter filho ou tiveram uma licença-maternidade longa", observa Adriana Bianco, psicopedagoga e diretora pedagógica da Escola Primeiros Passos.
fase inicial escolar são as mordidas
Encontrar a escola ideal para deixar o filho ainda pequeno exige disposição por parte dos pais. Depois de visitar várias instituições e não se identificar com nenhuma, Daniela Cremonese conheceu o CEI Navegantes e resolveu matricular a filha, Júlia, na época com 8 meses, quando precisava retornar ao trabalho. Logo no período de adaptação, ela percebeu que a filha estava gostando de ficar na creche e se sentiu tranquila, apesar da saudade. "Na creche ela podia interagir com outros bebês e fazer atividades diferentes, enquanto em casa não tinha nada disso. Já no segundo dia, a Júlia me deu tchau e ficou ótima na escola", lembra Daniela.
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Os primeiros meses de uma criança na escola são fundamentais para sua formação como indivíduo. É nesse período que algum sintoma inesperado no comportamento pode ser identificado e tratado devidamente. "Surgiu um caso de uma criança que precisava de um atendimento especializado. Ela tinha uma questão e precisava fazer terapia", lembra a diretora do CEI Navegantes. O comportamento mais recorrente nessa fase inicial escolar são as mordidas. Quando atinge um ano e meio, a chamada fase da oralidade, o bebê passa a querer morder e pode, sem querer, machucar um outro bebê do berçário. A situação é tanto comum como normal, mas é preciso sensibilidade para lidar com a preocupação dos pais. "A mordida dói muito na mãe, que se sente culpada por ficar fora o dia todo e encontrar o filho com aquela rodinha roxa. Mas elas entendem que aconteceu em uma disputa rápida de brinquedo", pondera a diretora da Escola Primeiros Passos.


