DESAFIO NATALINO - Magia do Natal precisa sobreviver ao divórcio
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de dezembro de 2007
Da Editoria 
Natal, festa em família. Essa é uma afirmação que passa de geração para geração. Mas qual é a família do século XXI? Ou, melhor seria perguntar, quais são as famílias do século XXI? Responder a essa questão, conforme a psicóloga Elsie Silva, é essencial nesta época, principalmente na hora dos pais que são separados decidirem como serão comemoradas as festas de fim de ano, em qual ''família'' os filhos vão estar na noite do dia 24 de dezembro.
Já não é de hoje que o modelo tradicional - pai, mãe e filhos morando na mesma casa - deixou de ser exclusivo. ''À medida que o mundo se tornou globalizado e mais competitivo', ressalta a psicóloga, ''as famílias passaram a enfrentar desafios sem precedentes. Os padrões familiares foram alterados. Hoje, uma minoria dos lares permanece com o modelo idealizado na década de 50, que era o da família nuclear, intacta, de classe média''.
Essa mudança abriu caminho para as famílias pós-modernas: ''Mães trabalhando fora, dois provedores na casa, pais solteiros, famílias divorciadas, recasadas, parceiros domésticos'', enumera a psicóloga.
Diante dessa realidade, como dividir o convívio dos filhos com os pais em datas especiais, como o Natal e as férias escolares?
Há que se lembrar, reforça Elsie, que é justamente nas férias que crianças e adolescentes têm um convívio mais intenso com o ambiente familiar. ''É importante ficar claro que um dos fatores que favorecem o desenvolvimento saudável é o relacionamento contínuo com as pessoas que têm a função de cuidadoras. Portanto, independentemente das mudanças, as crianças precisam ser cuidadas, protegidas, amadas, educadas e a conduta dos pais tem um peso decisivo, morem juntos ou não'', orienta Elsie.
Em datas especiais, como as festas de fim de ano, é preciso aprender a estimular a flexibilidade necessária para conviver pacificamente com os novos arranjos familiares. ''Por exemplo'', comenta, ''pais separados precisam entrar em consenso sobre como será dividido o período das férias e do Natal, levando em consideração o bem-estar dos filhos''.
É claro que crianças e adolescentes estão entre os que mais sentem a pressão. E, muitas vezes, não são sequer questionados sobre o que gostariam de fazer. ''É importante ouvir a opinião dos filhos'', destaca Elsie.
Ela reforça que cada época de nossa vida precisa ser vivida com o real significado daquele momento. Assim, Natal é Natal, férias são férias e dias ''normais'' do ano letivo têm suas características peculiares.
''A criança precisa perceber que existe coerência na educação. Nesse período de fim de ano, os pais precisam minimizar os conflitos convivendo de forma harmoniosa, procurando dar um lar para os filhos em cada ambiente no qual eles vão ficar'', sentencia.
Uma coisa, segundo a psicóloga, ainda não mudou, mesmo no século XXI: ''A criança precisa da magia do Natal e do aconchego familiar nas férias. Elas devem aprender pelo modelo dos pais a enfrentar os desafios da vida''.


