74 anos completos com muita saúde e disposição, dona Luzia Cobo Bautista faz parte de uma população de idosos que hoje representa 10% do total de moradores de Londrina. Número que, assim como no restante do mundo, tende a crescer. A previsão é que nos próximos 15 a 20 anos, a população de idosos aumente para 15% do total. Parece pouco, mas é o suficiente para que Londrina tenha que se preocupar e investir hoje, para proporcionar qualidade de vida e atendimento para londrinenses recém-nascidos, como o pequeno José Rodolfo, que ainda nem completou um mês.
  O geriatra Marcos Cabrera, de Londrina, ressalta que há 74 anos, quando Dona Luzia nasceu, a população de idosos não chegava a 0,5% e a expectativa de vida no país não era mais que 55 anos, diferente de quem nasce hoje, que já tem uma expectativa de vida média de 73 anos. Mas, se Dona Luzia, como outros idosos, venceu desafios pessoais e públicos para chegar com saúde aos 74, José Rodolfo também vai precisar transpor obstáculos e contar com um sistema de saúde eficiente na cidade onde nasceu, para também envelhecer e, quem sabe, ultrapassar a expectativa de vida hoje.
  Conseguir viver além da expectativa, segundo o médico, depende de algumas determinantes. Ele explica que apenas 20% desse sucesso se deve à génetica, 15% ao ambiente e 15% a doenças. Sobram 50%, que estão relacionadas ao estilo de vida, considerado hoje a determinante mais importante para uma vida longa.
  Mas, não é só alimentação saudável, a prática de atividade física e a não existência de hábitos nocivos, como o fumo, que favorecem a longevidade no quesito estilo de vida. Além desses fatores ligados ao biológico, estão questões afetivas, como o otimismo, um casamento feliz, e a produtividade. ‘‘Pesquisas já mostram que quem tem algumas virtudes psíquicas como o otimismo vive mais, e que quem para de trabalhar cedo e não produz, vive menos’’, ressalta.
  Além das determinantes individuais, alerta o geriatra, é preciso também pensar no âmbito coletivo, para questões como o amparo à saúde e aposentadoria. Até porque a população idosa vai crescer, mas principalmente na faixa dos 80 a 90 anos de idade, o que gera demandas como acessabilidade de espaços públicos, a necessidade de mais casas de longa permanência (asilos) e a assistência à saúde do ponto de vista da doença crônica.
  As doenças crônicas, aliás, são o ponto-chave que liga tanto quem tem hoje 74 anos e quem acabou de nascer. Elas são o porquê a situação de quem está nascendo agora não é mais fácil, apesar de tanto avanço tecnológico na medicina. Toda essa tecnologia, ressalta Cabrera, fez com que as pessoas morressem mais tarde, mas não que adoecessem mais tarde. ‘‘Fizemos pouco pela expectativa de vida livre de doenças das pessoas que hoje tem mais de 60 anos, e esse é o desafio para as crianças que estão nascendo agora’’, avalia.

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